Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 24/09/2020
Em 1988, com a promulgação da Constituição Cidadã, foi criado o Sistema Único de Saúde (SUS) que tem como objetivo a promoção do bem estar social de uma forma igualitária e universal para a população brasileira. Apesar dos esforços, a saúde pública, no Brasil, enfrenta problemas estruturais e organizacionais diante da luta contra epidemias em território nacional. Em suma, a falta de investimentos em saneamento básico, no combate ao desmatamento e na conscientização da população sobre a importância de se vacinar gera a volta de doenças dadas como erradicadas ou quase inexistentes, a exemplo sarampo e febre amarela.
Primeiramente, vale destacar o desleixo de representantes públicos com seus cidadãos, que não veem seus pagamentos de impostos sendo devolvidos à comunidade em forma de melhorias de prevenção sanitária. Sendo assim, de acordo com o Movimento Trata Brasil, cerca de 340000 pessoas são internadas por ano com infecções gastrointestinais. Da mesma forma, doenças como a dengue, zika, chikungunya ganham força com o esgoto a céu aberto ao atraírem o mosquito transmissor. Diante de tal cenário, é contraditório analisar o dinheiro dispensado pelo poder da União ao tratamento das consequências e não às causas dos problemas.
Por conseguinte, o comércio madeireiro extrativista e a pecuária contribuem para o translado de vetores do campo às cidades ao destruírem seu habitat natural, ocasionando surtos até mesmo de malária; uma moléstia majoritariamente rural. Além das problemáticas supracitadas, movimentos antivacinas, de mesma índole da Revolta da Vacina de 1904, disseminam-se pela população que não recebe esclarecimentos por parte das organizações governamentais. Por consequência, a falta de instrução e o despreparo governamental corroboram no agravamento de enfermidades por todo território nacional. Dessa forma, enxerga-se a necessidade de uma reestruturação interna.
Sendo assim, em virtude das falhas de governança, urge uma reavaliação dos pilares políticos com o apoio da comunidade e das escolas. Ao contrário do que disse a docente em atenção farmacêutica, Lorena Souza da Silva, que, para dizimar certas doenças, cabe o fornecimento de vacinas em farmácias, de nada adianta essa viabilidade se as pessoas não forem adeptas à elas. Portanto, cabe ao Ministério da Infraestrutura investir em saneamento e ao Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação promover campanhas nas instituições educacionais com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância de manter a certidão de imunização em dia. Por outro lado, cabe ao poder judiciário tornar força de lei a vacinação. Somente assim, a saúde de todos poderá ser mantida e a Constituição de “88” respeitada.