Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 28/09/2020

Promulgada em 1946 pela Organização das Nações Unidas (ONU), a Declaração Universal dos direitos humanos garante a todos os indivíduos o acesso à saúde e ao bem-estar. Em contrapartida, a dificuldade existente quanto às epidemias impossibilita que uma grande parcela dos brasileiros desfrute integralmente desse direito universal na prática. Nesse contexto, não há duvidas que os crescimentos inesperados de uma doença em diversas regiões representam um desafio para o Brasil, infelizmente, não só devido à falta de investimentos por parte do Estado, mas também à escassez da cooperação por parte da sociedade.

Em primeiro caso, a displicência governamental perante à saúde pública é um dos principais fatores que intensificam esse empecilho, uma vez que os poucos recursos destinados pelo Estado à essa área reduzem a cada ano. De acordo com o Conselho Nacional de Saúde, o investimentos nesse setor  em 2019 diminuiu 2% em relação ao ano anterior, contrastando com o fato de que o Sistema Único de Saúde (SUS) é o principal agente no controle das epidemias. Diante do exposto, a falta de aplicação capital nesse setor resulta em um serviço fragilizado, podendo ser observado na ineficácia do combate à epidemias e surtos, tendo como exemplo os disseminados pelo aedes aegypti (vetor da dengue, zika e chikungunya) que causam problemas na terra tropical todos os anos.

Somado a isso, a falta de colaboração por parte da população dificulta significativamente o combate às epidemias. Conforme Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é uma das principais características da “modernidade líquida” vivida no século XXI. De forma análoga, essa falta de união prejudica nas reivindicações por uma infraestrutura de qualidade, uma vez que muitas doenças são proliferadas por falta de saneamento básico. Além disso, essa individualidade existente prejudica também no combate aos locais favoráveis para a proliferação de vetores, pois, além de combater esses focos em sua residência, é dever do indivíduo alertar aos que moram na sua vizinhança, para assim evitar a disseminação dos agentes etiológicos na região.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem o combate eficaz das epidemias no Brasil. Desta forma, é imprescindível que o Estado amplie a força do SUS para combater os aumentos inesperados de contágios no solo brasileiro, através da destinação de recursos financeiros que sejam suficientes para uma ação eficaz. A partir dessas ações, espera-se diminuir o número de regiões que sofrem continuamente devido à essas doenças, promovendo, assim, o bem-estar da população verde-amarela.