Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 30/09/2020

Em 1988, com a promulgação da Constituição Cidadã, foi criado o Sistemas Único de Saúde (SUS) que tem como objetivo a promoção do bem estar social de uma forma igualitária e universal para a população brasileira. Apesar dos esforços, a saúde pública no Brasil, enfrenta problemas estruturais e organizacionais diante da luta contra epidemias. Em suma, a falta de investimentos em saneamento básico, no combate ao desmatamento e na conscientização da população sobre a importância de se vacinar, gera a volta de doenças dadas como erradicadas ou quase inexistentes, a exemplo sarampo.

Primeiramente, vale destacar o desleixo de representantes públicos com seus cidadãos, que não veem seus pagamentos de impostos sendo devolvidos à comunidade em forma de melhorias de prevenção sanitária. Sendo assim, doenças como a dengue, zika, chikungunya, ganham força com o esgoto a céu aberto ao atraírem o mosquito transmissor. Vale destacar que o vetor dessas moléstias também transmite a febre amarela, com uma letalidade de até 40%. Apesar da existência de vacina contra essa enfermidade, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para ondas sucessivas que o país pode enfrentar. Diante de tal cenário, é contraditório analisar o dinheiro dispensado pelo poder da União ao tratamento das consequências e não às causas do problema.

Ademais, o comércio madeireiro e a pecuária contribuem para o translado deses condutores. Essa perspectiva é enfatizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que divulgou dados sobre o desflorestamento na Amazônia e as queimadas no Pantanal em 2020; este com aumento de 210% em relação à 2019 e aquele sendo o segundo maior dos últimos cinco anos. Além das problemáticas supracitadas, movimentos antivacinas, da mesma índole da Revolta da Vacina de 1904, confundem o credo populacional. Por consequência, a falta de instrução e o despreparo governamental corroboram no agravamento dessas mazelas, necessitando-se de uma reestruturação interna.

Sendo assim, em virtude das falhas de governança, urge uma reavaliação dos pilares políticos com o apoio da comunidade e das escolas. Ao contrário do que disse a docente em atenção farmacêutica , Lorena Souza da Silva, que, para dizimar certas doenças, cabe o fornecimento de vacinas em farmácias , de nada adianta essa viabilidade se as pessoas não forem adeptas à elas. Logo, é de incumbência do Ministério da Infraestrutura investir em saneamento e do Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, promover campanhas nas instituições educacionais com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância de se manter a certidão de imunização em dia. Por outro lado, é de responsabilidade do poder judiciário tornar força de lei a vacinação. Somente assim, a saúde de todos poderá ser mantida e a Constituição de “88” respeitada.