Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 01/11/2020
Em meados do século passado, o escritor austríaco Stefan Zweig, recém-chegado no Brasil, escreveu um livro cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro.” Entretanto, quando se observa as deficiências do sistema público de saúde, sobretudo no que se refere a negligência no combate de epidemias no país, vê-se que essa profecia não saiu do papel. Dessa maneira, percebe-se a consolidação de um grave problema em virtude da falta de infraestrutura do aparelho de saúde e da desatenção da sociedade no cumprimento das normas preventivas dessas patologias.
A princípio, é válido destacar que essa circunstância deve-se, por exemplo, a distribuição desigual de verbas destinadas aos diferentes estratos de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS): baixa, média e alta complexidade. Uma vez que de acordo com o Centro de Estudos(CEEN), grande parte do montante é reservado para os níveis complexos de cuidados, como hospitais e Unidades de Tratamento Intesivo (UTI’s). Sendo assim, torna-se evidente o sucateamento da atenção básica, visto que o investimento deficiente desqualifica a assistência ,e, consequentemente promove a superlotação de centros de saúde designados para casos mais graves, pois as unidades primárias não dispõem de uma infraestrutura adequada para atender a população.
Outrossim, o impasse encontra terra fértil na não colaboração do tecido social para erradicar ou minimizar os índices de epidemias. Em vista disso, na teoria da percepção do estado da sociedade, de Durkheim, abrange duas divisões: “normal e patológico”, sendo que um ambiente patológico, em crise, rompe com seu desenvolvimento. Sob essa lógica, comportamentos egoístas favorece a ruptura do progresso no enfrentamento às epidemias, porque o não cumprimento das normas sanitárias preventivas por parte de uma família causa a reação em cadeia que poderá prejudicar toda a comunidade.
Posto isso, necessita-se que o Estado intensifique o capital direcionado às Unidades Básicas de Saúde, que por meio das esferas municipais, a verba será revertida em melhores equipamentos para qualificar o acolhimento primário no SUS e também em capacitações de profissionais atuantes no atendimento básico, afim de que a assistência supra as demandas social, bem como alivie a morosidade nos hospitais secundários e terciários do SUS. Ademais, o Ministério da Saúde deve investir em campanhas publicitárias, como anúncios em rádios em redes de televisão, com o fito de reforçar a propagação das medidas sanitárias profiláticas necessárias para exterminar ou atenuar a proliferação de doenças no Brasil. Assim, a visão futurística de Stefan Zweig, talvez, possa materializar-se.