Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 24/11/2020

No contexto social brasileiro, existem muitos entraves no que se refere ao enfrentamento de epidemias e isso se configura em um grande problema de saúde pública. Esse cenário preocupante acerca dos diversos tipos de epidemia que afligem o País exige um maior empenho governamental e social com o objetivo de superar as dificuldades encontradas nesse âmbito.

Efetivamente, apesar do que determina o artigo 196 da Constituição Federal de 1988, o qual estipula a saúde como direito de todos e dever do Estado, o poder público age de forma insuficiente e insatisfatória no que tange o enfrentamento e a prevenção de epidemias. O precário investimento em saúde primária pública; a pouca disponibilidade de recursos para a população, como possibilidade de obter alimentação adequada e saudável, saneamento básico e tratamentos de enfermidades e a escassa propagação de informações pertinentes a esses assuntos para os indivíduos em geral, demonstra a pequena dedicação estatal a essa pauta. Tudo isso compromete substancialmente a luta contra tais doenças epidêmicas, ocasionando o alastramento desses quadros patológicos, a sobrecarga de unidades de atendimento, e a dificuldade maior nos locais mais desfavorecidos socialmente, além da perda de vidas.

Ademais, no que diz respeito ao comprometimento social frente a epidemias, é notória a negligência dos cidadãos no engajamento às causas de saúde pública; por exemplo, ao deixarem locais com água estagnada, favorecendo a proliferação de mosquitos vetores de doenças; ao menosprezarem a importância da vacinação, devido ao crescimento de movimentos antivacina que são extremamente nocivos e ao serem displicentes com a própria saúde, deixando de desenvolver hábitos benéficos. Essa situação nociva à saúde pública nacional contraria o pensamento atribuído ao sociólogo Durkheim no qual ele reconhece a sociedade como um organismo vivo, o qual necessita que todas as partes trabalhem em conjunto e cumpra suas funções, para que ocorra um funcionamento harmônico e efetivo.

Portanto, para que sejam superados os desafios ao lidar com epidemias no Brasil e assim melhorar a saúde pública nacional, cabe ao Ministério da Saúde investir na propagação de conhecimento para a sociedade, por meio de replanejamentos orçamentários para que sejam destinados mais recursos para campanhas elucidativas, que informem a população de medidas preventivas importantes para evitar epidemias, e também investir em infraestrutura e qualidade de unidades de atendimento primário. Além disso, é necessário que as instituições que constituem a sociedade, como família, escolas, empresas e cidadãos em geral, promovam iniciativas em prol da saúde, como grupos ativistas que incentivem a vacinação, a higiene e o combate aos mosquitos vetores de doenças por meio das redes sociais.