Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 17/12/2020

A Revolta da Vacina, que ocorreu em 1904, no Rio de Janeiro, foi a reação violenta da população contra a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola, que, na época, era uma epidemia. Esse fato foi ocasionado em decorrência da falta de informação, visto que os habitantes não tinham conhecimento dos benefícios da vacina. Analogamente a esse período, no século XXI, para lidar com epidemias, o Brasil enfrenta dificuldades, destacando-se o movimento anti-vacina e o sistema de saúde deficitário.

A princípio, é válido salientar que, com o uso cada vez maior da internet, pensamentos que antes não tinham destaque, passaram a ter. Nesse sentido, surgiu o movimento anti-vacina, que, como o nome sugere, não compactua com a vacinação da população. Tal posicionamento tem ganhado força nos últimos anos e representa uma das maiores ameaças para a saúde pública brasileira, visto que doenças anteriormente erradicadas no país - como sarampo e poliomielite - e que provocaram graves epidemias voltam a ser uma ameaça, caso a taxa de vacinação não aumente, de acordo com a Agência Brasil. Desse modo, comprova-se que esse movimento apresenta um risco para o setor público de saúde e pode ocasionar a volta de enfermidades antes declaradas erradicadas em todo o território nacional.

Ademais, a nação, apesar de contar com um sistema de saúde, não tem sido capaz de suprir a demanda populacional por acesso. Isso ocorre devido ao déficit enfrentado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que não tem recursos financeiros e estruturais para suprir as necessidades da população. Com isso, não é possível que o país lide com endemias de maneira apropriada, já que, segundo o site Politize, 75% dos habitantes depende exclusivamente do SUS, ou seja, essas pessoas não têm pleno acesso à saúde, como é seu direito. Além disso, com a crise do coronavírus, ocorrida em 2020, a demanda por leitos hospitalares, por meio do Sistema, é alarmante. Conforme dados divulgados pela CNN Brasil, em dezembro de 2020, a ocupação de leitos da rede pública ultrapassava os 90%, número que tende a aumentar com o crescente número de casos. Dessa forma, fica clara a importância do SUS, mas este não consegue suprir a demanda e, consequentemente, essa deficiência é prejudicial para o combate de epidemias.

Em suma, é preciso que o Ministério da Saúde, agente responsável pela gestão do SUS, invista na melhora desse órgão, mediante o envio de verbas, a fim de amenizar as dificuldades enfrentadas por ele. Ainda, é preciso que a população, através de redes sociais, pressione o poder público para que este implemente o Sistema de Saúde brasileiro, dado que a maior parte da população depende exclusivamente dele.