Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 03/01/2021

Durante o início do século XX, a cidade do Rio de Janeiro sofreu uma epidemia de varíola que suscitou medidas sanitaristas a partir dos esforços do médico Oswaldo Cruz, figura essencial para a contenção da doença e a inserção de medidas preventivas na sociedade. Todavia, mesmo após anos de avanços na área da saúde pública, ainda há desafios que a cercam até os dias atuais, como a falta de informação entre a população e a ausência de saneamento básico em algumas regiões, fatores decisivos para o enfrentamento de epidemias no Brasil.

Nesse contexto, o personagem Jeca Tatu, criado por Monteiro Lobato na obra “Urupês”, ilustra como a ignorância acomete a saúde da população. Na história, Jeca sofre com a doença “amarelão”, que é consequência de seus hábitos de caminhar descalço em solos úmidos e de higiene precária, representando os impactos do descaso estatal na divulgação efetiva de informações preventivas a determinados segmentos sociais, uma vez que esses hábitos poderiam ser evitados com o conhecimento dos riscos que oferecem. Dessa forma, a desinformação entre a população compromete a contenção de epidemias, sendo primordial o amplo acesso às noções de prevenção no país.                   Ademais, segundo um estudo da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, o Brasil apresentou 40 mil internações relacionadas à falta de saneamento básico somente no primeiro trimestre de 2020. Nessa perspectiva, é evidente o papel do tratamento eficaz da água contra as doenças que se propagam por esse meio, tais como a cólera e a amebíase, que são passíveis de contenção e, consequentemente, podem deixar de sobrecarregar o Sistema Único de Saúde, já responsável por grandes demandas públicas. Dessa maneira, a propagação de moléstias é favorecida pela má qualidade sanitária, configurando os serviços de limpeza pública como essenciais na prevenção de enfermidades.

Portanto, a desinformação e as desigualdades sanitárias são barreiras enfrentadas pela saúde pública no combate às epidemias. Para a reversão desse quadro, compete ao Ministério da Saúde realizar campanhas que abordem medidas preventivas contra os principais riscos de surtos no Brasil, em nível regional e de forma sazonal, por meio de mídias sociais e de espaços televisivos, a fim de ampliar o acesso à informação e conter riscos epidêmicos. Além disso, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Regional formular planos sanitários em áreas carentes e, assim, dar continuidade ao legado do médico sanitarista Oswaldo Cruz.