Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 21/06/2021

Monteiro Lobato, em sua obra “Três Milhões de Idiotas”, retrata a dificuldade do governo brasileiro quanto à contenção da epidemia da Doença de Chagas, que poderia ser resolvida com a efetivação por completo do saneamento básico em território nacional. Sob essa ótica, mesmo no século XXI as autoridades brasileiras ainda sofrem com dificuldades na contenção de doenças contagiosas, fazendo-se necessário analisar os desafios que a saúde pública enfrenta na contenção de epidemias, tais como a ausência de saneamento básico por completo e a falta de conscientização da população.

Em primeira instância, a precariedade do saneamento básico colabora na disseminação de doenças, visto que ele é responsável pelo fornecimento de água potável e destinação correta para os dejetos humanos. Sendo assim, segundo o Instituto Trata Brasil, cerca de 100 milhões de brasileiros não contam com rede de esgoto em seu local de convívio, facilitando a disseminação de doenças e causando, por consequência, a sobrecarga do Sistema Único de Saúde (SUS). Assim sendo, a importância do saneamento básico quanto à contenção de epidemias se faz notória, tornando-se preocupante frente aos dados apresentados e urgindo ações governamentais que busquem resolver a problemática.

Outrossim, a falta de conscientização da população é um obstáculo na contenção de epidemias. Dessa maneira, a escassez de informações sobre doenças por parte da população acaba por dificultar o processo de combate, tendo como maior exemplo o caso do Aedes Aegypti, o mosquito da dengue, cujo combate se da em maior parte por não deixar água parada exposta a céu aberto. Haja visto o meio de combate à doença, segundo o site Saúde Estadão, na região sul, cerca de 52,7% dos criadouros de mosquito se encontravam nos lixos, evidenciando a negligência da população quanto aos cuidados requeridos. Dessa forma, o combate se torna árduo, pois é uma responsabilidade não somente do Governo, mas também da população, necessitando mudanças no pensamento coletivo.

Por conseguinte, urge ao Governo, em conjunto ao poder judiciário, a destinação de maiores verbas, por meio de projetos governamentais, para a efetivação do saneamento básico em todo o território brasileiro, visando garantir o bem-estar social e controle de epidemias. Cabe ainda ao Ministério da Saúde, em conjunto ao Ministério das Comunicações, a criação de campanhas midiáticas, por meio de verbas governamentais, que busquem conscientizar a população acerca de seu papel no controle da disseminação de doenças contagiosas. Somente assim será possível tornar a crítica de Monteiro Lobato anacrônica durante o século XXI.