Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 18/06/2021
Durante um momento complicado em uma epidemia, ou até mesmo uma pandemia, é que um governo tem o dever de provar-se organizado e valorizar suas instituições. Neste cenário, não se deve fazer ações antes de melhorar as instituições de saúde pública que atendem à população. Pois isto foi entendido de forma avessa pelo governo brasileiro durante a pandemia da Covid-19, na qual o país enfrenta duramente o colapso das suas instituições por parte de ações adotadas pelo próprio governo. O Brasil gasta em saúde 9,2% do PIB, mas boa parte despesas são destarte ao pagamento de consultas na rede privada. No fim, o investimento orçamentário continua baixo mesmo durante a pandemia. E ainda, a postura adotada pelo governo federal diante da crise foi baseada em negacionismo e desinformação que contribuíram para o aumento da disseminação do vírus da covid-19 em todo território nacional.
“Fazer investimentos na saúde pública brasileira é algo urgente”, afirmou Frederico Guanais, diretor-adjunto da divisão de saúde da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo ele, uma pandemia de covid-19 “deixou claro que despesas na área de saúde são investimentos”. Para o especialista, a pandemia de covid-19 expõe ainda uma importância de retomar pendentes do que pode ser feito para melhorar o SUS.
Assim, um dos temas, afirmou Guanais, é o sistema de informações integradas do SUS, que pode ter uma melhor utilização dos dados (como hospitalizações, uso de medicamentos e óbitos) para detectar precocemente epidemias e rastrear sua propagação e ainda analisar a qualidade do atendimento aos pacientes. Os mecanismos de governança do SUS também precisam ser rediscutidos, já que há vários problemas na articulação federativa do sistema com os níveis demais da área de saúde, com impacto direto sobre a sua gestão.