Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 21/06/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista e acredita em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com as epidemias no Brasil torna o país cada vez mais distante do imaginado pela personagem. Nesse âmbito, seja pela ineficiência governamental, seja pela negligência social, o problema exige uma reflexão urgente.
Nesse contexto, é necessário destacar, a priori, que a falta de políticas públicas corrobora de forma intensiva o entrave. Segundo Abraham Lincoln, ícone político americano, a política existe para servir ao povo e não ao contrário. Desse modo, em relação às doenças que se proliferam no país, o que se percebe é justamente a ideia oposta a que Lincoln defendeu, pois não há um conjunto de ações, de planos, de metas públicas voltadas para a resolução da questão. E, como consequência, há o agravamento de determinadas enfermidades, como a dengue, a Chikungunya e a Zika, que poderiam ser solucionadas se houvesse maior interesse do Estado. Assim, é mister uma reformulação da postura estatal brasileira.
Ademais, é imperativo pontuar que a idealização de Quaresma distancia-se ainda mais da realidade brasileira, visto que o desmazelo social é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Isso porque o termo cidadania consiste na luta pelo bem-estar social, caso os sujeitos não possuam um pleno conhecimento da realidade na qual estão inseridos, eles serão incapazes de assumir plena defesa pelo coletivo. Sob tal ótica, a cegueira moral, fenômeno exposto por José Saramago em sua obra “Ensaio sobre Cegueira”, caracteriza a alienação da sociedade às demais realidades sociais. Nesse sentido, tal estorvo advém de uma despreocupação dos cidadãos em exigir reformulações nos setores públicos encarregados de garantir a possibilidade de apreciação das múltiplas formas de combate às patologias locais. Logo, é essencial a intervenção do brasileiro na comunidade em que vive com simples ações diárias e sua contribuição, sobretudo, para evitar os grandes índices de contágio das doenças.
Diante disso, medidas são necessárias para mitigar essa problemática. Para tanto, cabe ao MEC (Ministério da Educação) orientar os alunos sobre como impedir a propagação de epidemias no Brasil, por meio de palestras e debates nas escolas – que têm como função social formar alunos reflexivos e conhecedores dos seus direitos e deveres - a fim de aprimorar o aprendizado quanto ao assunto e, dessa forma, estimular o senso crítico dos estudantes para auxiliarem na resolução do problema. Portanto, notar-se-á uma melhora no cenário nacional e maior aproximação do ideário de Policarpo Quaresma.