Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 21/06/2021

O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano decidir seu modo de agir, pois esse seria livre e responsável. Entretanto, percebe-se a irresponsabilidade de parte da sociedade no que concerne à questão de como lidar com epidemias no Brasil. Dessa forma, observa-se que encarar surtos de doenças no Brasil reflete em um cenário desafiador, seja em virtude da falta de um saneamento básico a todas áreas do país, seja em virtude de parte da sociedade não despejar seu lixo de forma correta, o que cria focos de reprodução de seres transmissores de doenças.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que no Brasil o contágio por transmissores de doenças é facilitado pela falta do saneamento básico, o relatório feito pelo Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento, SNIS, de 2018 mostra que 47,6% do esgoto coletado no país não é tratado, isso revela que cerca de 96,7 milhões de pessoas não dispõe de tratamento coletivo. Assim, com a ausência desse bem, diversas doenças podem ser contraídas, pois ao entrar em contato com a pele os microrganismos expostos, resultantes da falta de um saneamento básico, causam perigos à saúde humana. Outrossim, a inexistência desse serviço torna propícia a atração dos vetores de doenças, como os ratos, que são transmissores da leptospirose, uma enfermidade causada pelo contato da urina do animal, normalmente causada pelas enchentes, que é um fruto da carência de um serviço de saneamento adequado.

Não obstante, não só o Governo tem culpa na causa de transmissões em massa de doenças, mas também, parte da população. O despejo inadequado do lixo, por parte da sociedade, causa muitas vezes o acúmulo de água parada, principalmente nos períodos mais chuvosos, que torna mais simples a transmissão do vírus da dengue, pelo fato de o mosquito colocar seus ovos na água, o que contribui para sua reprodução. De acordo com Juliana Junqueira, coordenadora do Programa de Controle de Roedores e de Animais Peçonhentos de Uberlândia, “quanto à dengue, é necessário evitar ao máximo surgimento de focos. No final das contas, o poder público fiscaliza e atua, mas a conscientização por parte do cidadão é muito importante no processo.”

Portanto, a fim de solucionar esse impasse, o Governo deve revisar o plano de saneamento com os estados, com o propósito de aumentar a coleta de esgotos nas áreas necessitadas das cidades, isso será feito com o dinheiro dos impostos e reuniões com os secretários de planejamentos e infraestruturas estaduais. Além disso, os estados vão multar as pessoas que despejarem o lixo de forma incorreta nas ruas. Como resultado dessa nova perspectiva, ocorrerá o aumento do saneamento básico e a consequente redução em um possível risco de epidemias.