Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 21/06/2021

Durante a década de 70, o movimento conhecido como Revolução Sanitária se desenvolvia no Brasil. Muitos cidadãos indignados com a situação da saúde pública do país, deram início a uma série de protestos a fim de obterem  um melhor atendimento. Assim, oficializado a partir da  Constituição Federal de 1988, surgiu o SUS (Sistema Único de Saúde). Apesar de ser um programa que dá apoio a milhões de brasileiros, em situações mais extremas como a de uma epidemia, é possível observar que se trata de um sistema sobrecarregado e incapaz de atender a todos igualmente.

Primeiramente, vale ressaltar que a precariedade do SUS é um fator agravante em relação a problemática. O fato de as condições e recursos públicos para o atendimento à população estarem deteriorados, dificulta consideravelmente o trabalho dos profissionais de saúde, que já se encontram sob bastante pressão, haja vista que em uma epidemia há um número massivo de pacientes. Segundo Cleonice Ribeiro, diretora do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindSaúdeSP), o descaso é tamanho, que já houve casos em que hospitais não tinham sabão para lavar as mãos ou papel toalha para enxugar, fato que evidencia a necessidade de melhorias e investimentos na área.

Ademais, a falta de investimentos no sistema de saneamento básico nacional contribui ainda mais para um possível cenário epidêmico. Não é necessário um diploma ou anos de estudos para saber que a exposição de pessoas ao esgoto ao ar livre, é extremamente prejudicial à saúde de qualquer ser humano. Segundo um estudo do Instituto Trata Brasil, em 2017, o país contava com 100 milhões de pessoas sem coleta de esgoto em casa, número equivalente a 47,6% da população. Portanto, pode-se afirmar que quanto maior o número de pessoas desprovidas do mínimo que precisam para viver, no quesito de higiene e saúde, maior serão as chances de um possível surto epidêmico.

Assim sendo, é notório que a forma como se tem lidado com epidemias no Brasil vem se mostrando ineficaz. Portanto, cabe ao Estado em parceria com Ministério da Saúde, a criação de uma campanha chamada Brasil Curado, que consistiria em investimentos massivos nas áreas da saúde e sistema de saneamento básico. O dinheiro seria disponibilizado a partir de cortes de gastos em setores menos essenciais e urgentes. O projeto visa diminuir as possibilidades de contágios em massa, porém, caso aconteça, a população seria assistida de forma eficiente.