Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 06/07/2021
A Reforma Sanitária no Brasil, ocorrida na década de 1970, foi um movimento social com o intuito de estabelecer mudanças e transformações necessárias para a democratização ao acesso à saúde no país, com as quais não compreendiam apenas o sistema, mas todo o setor, em busca de melhorias nas condições de vida da população. No entanto, ainda hoje, o Brasil enfrenta problemas na gestão da saúde no território. Logo, é de suma importância analisar os desafios relacionados ao controle de epidemias no país, que estão intrinsecamente ligados à deficiência educacional e à falta de saneamento básico em âmbito nacional.
Em uma primeira análise, é válido ressaltar que a falta de educação em saúde é um impulsionador do problema. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, atualmente, os estados brasileiros que apresentam um índice de desenvolvimento educacional muito baixo, como aqueles das regiões norte e nordeste, são os que mais sofrem com a ocorrência de doenças como a esquistossomose e a doença de chagas, que podem ser facilmente atenuadas por medidas profiláticas. Com isso, fica evidente a necessidade de educar a população, a fim de evitar a contaminação e a disseminação dessas epidemias.
Em uma segunda análise, é primordial destacar a precariedade do sistema de saneamento básico como fator corroborante desse entrave. Nesse sentido, quando a população tem acesso ao tratamento e coleta de esgoto, à drenagem urbana, à coleta de resíduos sólidos e à distribuição de água potável ocorre um aumento na qualidade de vida e uma contenção na proliferação de doenças epidêmicas, como a dengue. No entanto, dados do Instituto Trata Brasil mostram que quase 100 milhões de brasileiros ainda não possuem esses serviços básicos, causando vários problemas à saúde humana e dificultando o controle de doenças no território.
Portanto, algumas medidas devem ser tomadas para inibir a problemática. Logo, compete ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, elaborar programas educacionais voltados para o ensino de medidas preventivas contra doenças epidêmicas, por meio de palestras com profissionais epidemiológicos nas redes públicas de ensino, a fim de atenuar a proliferação de doenças no país. Além disso, é importante que o Governo aumente os investimentos em saneamento, por meio da contratação de mais profissionais da área e da compra de equipamentos específicos, a fim de aumentar o contingente e promover o saneamento básico em âmbito nacional. Só assim, será possível legitimar a Reforma Sanitária ocorrida em 1970.