Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 15/08/2021
O desenvolvimento da medicina e da biologia ao longo da História, como por exemplo a descoberta de micro-organismos, possibilitou uma compreensão maior acerca da transmissão de doenças. Todavia, somente a ciência, isolada do Estado, apresenta-se incapaz de superar os desafios na saúde pública brasileira e no controle de epidemias, já que inúmeras enfermidades acometem a população do país, sobretudo os cidadãos mais pobres. Dessa maneira, tal cenário é fruto tanto da insuficiência de medidas públicas de saneamento básico quanto da falta de conscientização acerca da vacinação.
Primeiramente, há uma relação direta entre a qualidade da água com a proliferação de certas doenças. Portanto, essa relação pôde ser verificada desde a Idade Média, já que, ao contrário da Antiguidade, os recursos hídricos eram coletados de regiões próximas aos aldeamentos, favorecendo o contato com dejetos humanos e, por conseguinte, o adoecimento dos habitantes. De forma análoga, no século XXI, a falta de acesso à água tratada, atrelada à carência do saneamento em áreas remotas do Brasil, pode provocar a propagação de moléstias como verminoses e hepatite. Consequentemente, a população pobre encontra-se sujeita aos males trazidos pelas epidemias e, a ciência, sem uma atuação eficiente do Estado, é incapaz de superar os desafios presentes na saúde pública do território.
Outrossim, é notório que a vacinação é capaz de amenizar o alastramento de uma epidemia. Assim, consoante Michel Foucalt, em seu conceito de biopolítica, a manutenção da vida humana depende da atuação do Estado e do exercício do seu poder legítimo. Entretanto, apesar do governo ser responsável por garantir a oferta de vacinas, a conscientização sobre a importância da vacinação não é realizada de modo eficiente, pois muitos cidadãos do Brasil negam tal prática e contribuem com a proliferação de doenças. Desse modo, os avanços no campo da ciência são insuficientes para diminuir os obstáculos na saúde pública, pertencendo à esfera governamental a plena capacidade de conduzir melhor as estratégias de divulgação da imunização para enfrentar adequadamente as epidemias.
Diante disso, para que haja redução das enfermidades que acometem os brasileiros, é necessário que os ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Regional criem o Plano de Combate das Epidemias, que, por meio da detecção das áreas remotas com saneamento precário no país, irá solucionar essa problemática e amenizar a questão da carência de medidas públicas nesse aspecto. Tal deteccção deverá ser feita com a coleta de denúncias e com a utilização de satélites, drones e outras tecnologias. Além disso, esse mesmo plano veiculará campanhas nas redes sociais para promover a conscientização acerca da relevância da vacinação. Em suma, o Brasil reprimirá as epidemias e os desafios na saúde pública, assim como fará melhor uso dos conhecimentos fornecidos pela ciência.