Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 21/09/2021
No período da República Oligárquica, ocorreu uma revolta de caráter popular chamada Revolta da Vacina. Ela recebeu esse nome porque a população se recusava a tomar o imunizante, imposto pelo governo, que prevenia e curava a epidemia que se alastrava no território brasileiro. Essa negativa se deu em razão da falta esclarecimento por parte dos governantes sobre os benefícios da vacinação. Infelizmente, a persistência da falta de uma política governamental eficiente e a desinformação da população diante de medidas profiláticas faz do Brasil um berço continuo de antigas e novas epidemias.
Mais de um século após o motim das vacinas, uma pandemia veio reafirmar o despreparo governamental para administrar uma crise sanitária. Assim como ocorreu à época, o combate ao vírus é feito através da imunização de toda a sociedade. Porém, em razão da falta de planejamento e demora na aquisição dos imunizantes, mais de 500 mil vidas foram perdidas – de acordo com dados do Ministério da Saúde. Além disso, na rede hospitalar ficou explícita a falta de infraestrutura, a escassez de material básico para o atendimento e principalmente a ausência de um protocolo básico de procedimentos a ser seguido, o que tornou o ambiente propício para disseminação do vírus. Fica evidente, portanto, que é necessária uma rede de saúde mais hábil e com protocolos de segurança melhor desenvolvidos.
Ademais, em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já listava a hesitação em relação às imunizações entre os 10 maiores desafios de saúde pública global, após o número de casos de sarampo triplicar no mundo, em relação a 2018. Segundo a OMS, esta hesitação, fruto da desinformação e compartilhamento das chamadas “Fake News”, ameaça reverter o progresso feito no combate às doenças evitáveis por meio de vacinação. Lamentavelmente, o Governo Federal, ao não se pronunciar contra pensamento negacionista e anticientífico, continua se mostrando negligente no combate a desinformação.
Diante do exposto, a fim de minimizar os obstáculos no enfrentamento das doenças, o Ministério da Saúde deve organizar e divulgar, por meio das redes sociais, campanhas publicitárias informativas sobre as formas de prevenção e combate às doenças. Bem como, precisa regulamentar as medidas de enfrentamento às epidemias que devem ser adotadas pelos profissionais da saúde. Dessa forma, as pessoas terão acesso a uma referência informativa segura, reduzindo a propagação das “Fake News” e priorizando optar pelo tratamento adequado. Restringindo, assim, a disseminação de doenças no país.