Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 02/10/2021
Na obra literária “O Cortiço” é exibida a realidade de um conjunto habitacional do Rio de Janeiro, no século XIX, onde, devido ao saneamento básico precário, os moradores estavam vulneráveis a doenças. Fora da ficção, a mesma situação pode ser observada no Brasil atual, devido a negligência estatal para com a higiene pública, o que aumenta o risco da propagação de epidemias. É, portanto, necessário avaliar o panorama nacional e elaborar uma medida para solucionar o problema em questão.
Inicialmente, é importante destacar a ineficiência do sistema de saúde do país na prevenção de doenças. Segundo o médico e cientista brasileiro Drauzio Varella “o sistema de saúde no Brasil é centrado na doença, mas precisa ser centrado na prevenção”. Desse modo, fica claro que o governo não dá a devida atenção a precaução de enfermidades, tendo em vista o precário sistema de saneamento básico do país que abre espaço para a reprodução de vetores em regiões mais pobres, deixando os cidadãos vulneráveis a doenças, como em “O Cortiço”.
Como consequência, o número de indivíduos impactados por epidemias vetorizadas por insetos e outros animais têm crescido de modo alarmante no Brasil. Uma reportagem do portal de notícias G1 mostrou que quase 800 pessoas faleceram em decorrência de dengue, malária ou chykungunya no país, durante o surto de 2016. Tais dados evidenciam que a negligência do Estado perante a situação de higiene pública não apenas acentua a desigualdade social, como também representa um risco a saúde geral da população, cada vez mais exposta a essas doenças.
Sob essa perspectiva, cabe ao governo federal, por meio do Ministério da Saúde, tomar iniciativas que solucionem a problemática no país. Para isso, devem ser elaborados projetos de vistoria em regiões necessitadas e a disponibilização de recursos para reduzir os focos do mosquito, com limpeza pública e investimento em infraestrutura. Assim, seria reduzida a desigualdade de acesso ao saneamento básico e, consequentemente, menos brasileiros seriam vítimas das epidemias no Brasil.