Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 04/06/2022
No final do século XX, a partir da Promulgação da Constituição de 1988, a saúde tornou-se um direito inerente a todos os cidadãos e garantido mediante políticas públicas igualitárias e universais para sua eficácia. Entretanto, hodiernamente, ainda é possível observar o descompasso na logística brasileira no enfrentamento de epidemias. Nesse contexto, esse cenário nefasto ocorre não só em razão da falta de preocupação dos governantes em informar e de instruir a população, mas também pela falha no desenvolvimento de estratégias para o controle de surtos.
Deve-se pontuar, de início, a importância do alinhamento instrucional entre o Estado e a população no combate às epidemias. Então, em 1973, momento de grande surto de meningite no Brasil, durante o governo do coronel Emílio Médici, os infográficos e as notícias a respeito da epidemia vigente foram omitidas da população para não gerar revoltas e nem histerias coletivas. No entanto, ao desconsiderar a credibilidade dos dados logísticos para o povo, a coordenação nacional para lidar de maneira eficaz e acertiva com a epidemia é prejudicada.
Ressalta-se, ademais, a influência da carência de medidas estatais para enfrentar durante surtos epidemiológicos. Conforme o pensamento do filósofo Zygmunt Bauman, crítico da modernidade líquida, as instituições governamentais- configuradas com zumbis- perderam suas funções sociais, todavia, tentam mantê-las a todo custo. Dessa forma, definido como zumbis por Bauman, as medidas e as políticas públicas falham na elaboração de estratégias que conciliem a segurança nacional e a contenção do surto nas zonas de maior incidência.
Evidencia-se, portanto, a persistência de obstáculos estruturais ao lidar com epidemias no território nacional. Nesse âmbito, compete ao Ministério da Saúde- órgão de maior autoria e influência-, conjuntamente à imprensa, divulgar resultados logísticos das estratégias de contenção epidêmica, por meio de propagandas nas redes de comunição, com o objetivo de transmitir transparência e eficácia na coordenação nacional. Além disso, deve desenvolver planejamentos de auxílio aos epicentros de risco, com o intuito de alinhar a segurança populacional aos objetivos de controle epidêmico proporcionalmente.