Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 15/10/2023

Segundo a Constituição Federal de 1988, todo cidadão brasileiro possui o direito à saúde, cabendo ao Estado a sua efetivação no corpo social. Contudo, vê-se que essa asseguração não é aplicada de forma plena, visto que existem desafios na saúde pública, como epidemias que devem ser combatidas.Nessa perspectiva, faz-se necessário analisar dois pontos acerca do óbice apresentado, que são a negligência governamental e o descaso com o Sistema Único de Saúde.

Nesse viés, primeiramente, é válido abordar a falta de atuação estatal presente na questão. Nesse âmbito, para Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, tal responsabilidade não está sendo honrada quanto à saúde pública do país, já que pouco é investido em projetos e políticas relacionados a essa problemática, observada no fato de o Brasil ocupar a penúltima posição no ranking de gastos públicos em saúde, de acordo com o IBGE. Assim, para que tal bem-estar seja usufruído, o Estado precisa sair da inércia em que se encontra.

Por conseguinte, cabe analisar o descaso com o SUS, que dificulta o enfrentamento das epidemias, como a dengue. Nessa conjuntura, pode-se citar o pensamento sociológico da antropóloga Lilia Schwarcz, que diz, basicamente, que existe, no Brasil, uma política de eufemismos, ou seja, determinados problemas são suavizados e não recebem a visibilidade que merecem. Dito isso, percebe-se que a ausência de profissionais, insumos e a demora no atendimento são alguns dos pontos que devem ser revistos e modificados, assim como os subsídios voltados para essa área, que segundo o IBGE, foi de apenas 4% do PIB em 2019.

Portanto, é de suma importância que o Ministério da Saúde, como instituição de alta relevância para o país, invista nesse setor, para mitigar as epidemias existentes no território nacional. Isso deve ser feito por meio de investimentos, ao contratar profissionais da área, comprar equipamentos para os hospitais públicos, a fim de melhorar o atendimento e, com isso, poder tratar as doenças de forma eficiente e segura. Para que, assim, o direito descrito na Constituição seja válido e efetivo para todos.