Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?
Enviada em 10/06/2024
O historiador José Murilo de Carvalho, em sua obra “A cidadania no Brasil: o longo caminho”, argumenta que a plena cidadania engloba direitos sociais, políticos e civis. Contudo, na realidade contemporânea, percebe-se um desvio do que Carvalho propõe, pois os desafios para lidar com epidemias no país resultam em uma cidadania fragmentada. Nessa perspectiva, a negligência estatal e a comodismo social intensificam esse dilema.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que a Carta Magna expressa, como garantia a todos os cidadãos, o direito à saúde, mas, para que sejam efetivados, precisa de prestações positivas do Governo. Entretanto, no concerne a alta incidência de surtos epidêmicos, como a dengue, percebe-se a falta de políticas públicas eficientes que possam garantir, amparo, prevenção e tratamento para indivíduos acometidos por essas mazelas. Isso, em desdobramentos futuros, sobrecarregará o sistema de saúde pública, por exemplo, com a superlotação dos hospitais. A esse respeito, a responsabilidade dos governantes é evidenciada pelo pensador suíço Rousseau em sua teoria do “Contrato Social”, na qual o Estado tem que atuar na manutenção da ordem e bem-estar coletivo.
Ademais, atitudes com alta repetitividade na sociedade tendem a permanecer se nada for feito, o que faz jus às palavras da socióloga Hannah Arendet de que “Quando uma ação negativa é reproduzida várias vezes no meio social, as pessoas param de vê-la como errada”. Defronte a esse pensamento, fica claro que as pessoas precisam mudar suas atitudes em relação ao contexto da disseminação de doenças e ações preventivas, a exemplo disso, o combate de vetores, para que problemas como epidemias não se perpetuem. Assim, é indubitável a intervenção nesse desagradável cenário que representa um obstáculo coletivo.
Urge, que o Estado saia da inércia. Este, por sua vez, por meio do Ministério Saúde e do Ministério da Educação, deve desenvolver medidas contra epidemias, como a criação de unidades especializadas no combate e prevenção dessas terríveis conjunturas, por intermédio da capacitação de profissionais das áreas da medicina, enfermagem e corpo de bombeiros, subsidiados por insumos governamentais, a fim de extinguir essas tragédias e conscientizar a população.