Desafios na saúde pública: como lidar com epidemias no Brasil?

Enviada em 26/10/2024

No final do século XX, com a promulgação da Constituição de 1988, o Brasil consolidou a saúde como direito fundamental, buscando universalizar o acesso a um sistema público que promova a dignidade e a qualidade de vida. Entretanto, ainda é possível notar as precárias condições brasileiras em lidar com epidemias. Nesse contexto, esse cenário nefasto ocorre não só pela falta de políticas públicas que atendam a pluridade regional do país, mas também pela carência de campanhas de conscientiação da população no enfrentamento de tais surtos.

Deve-se pontuar, de início, a influência do Estado- e de suas responsabilidades- no combate à epidemia no território nacional. De acordo com Zygmunt Bauman, crítico da modernidade líquida, as instituições governamentais- configuradas como zumbis- perderam suas funções sociais, todavia, tentam mantê-las a todo custo. Então, essas instituições de saúde, definidas como zumbis por Bauman, ineficazes de se adaptarem às necessidades regionais, perpetuam um despraparo, devido à precaridade de infraestrutura médica adequada em áreas remotas que, por conseguinte, invibializam o acesso e alcance do atendimento à população.

Ressalta-se, ademais, a falta de campanhas educativas para auxiliar o enfrentamento de episódios de epidemias como fator. Durante o epísodio da Revolta da Vacina, ocorrido no Rio de Janeiro, uma histeria coletiva tomou conta da população devido à falta de informações claras sobre a implementação das políticas sanitárias. Nesse sentido, as medidas preventivas e de respostas às epidemias devem possuir participação mútua com a população, uma vez que pode gerar resistência e desconfianças da veracidade da situação pela falta de diálogo.

Evidencia-se, portanto, a persistência de problemas estruturais no que tange as formas de lidar com epidemias no Brasil. Nesse âmbito, compete ao Ministério da Saúde- órgão de maior autoria e influência- criar ações de monitoramento e vigilãncia contínua, por meio de sistemas que alertem rapidamente casos e surtos de doenças infecciosas, com objetivo de identificar e intervir previamente. Além disso, deve informar a população sobre os modos de prevenção, a partir de campanhas de conscientização em mídias e redes sociais, com intuito de orientar a população a colaborar com as polítcas de enfrentamento de epidemias no país.