Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 18/11/2021
Gilberto Freyre, no livro Casa-Grande e Senzala faz uma crítica aos abusos sexuais sofridos por diversas crianças, principalmente as meninas, na época do Brasil Colônia. Todavia, mesmo após vários anos da publicação da obra, essa realidade ainda vitimiza boa parte das crianças brasileiras. Nesse viés, dois fatores devem ser analisados: o machismo vigente no país e a ausência de uma educação sexual efetiva.
A priori, é importante ressaltar o quanto o machismo é um desafio no combate ao abuso sexual infantil. Isso ocorre porque, de acordo com o conceito de “homem cordial” do escritor Sérgio Buarque de Holanda, a sociedade tende a não atribuir ao homem da sociedade características que vão de encontro à figura de uma “boa pessoa”. Constata-se essa realidade por meio de uma reportagem divulgada pelo “G1”, a qual mostra o caso de uma menina de nove anos que foi estuprada pelo próprio tio e ficou grávida. Como se já não fosse inaceitável tamanha brutalidade, diversas pessoas, ao invés de lutarem pela prisão do sujeito, fizeram manifestações para que o aborto não fosse realizado, ainda que a gravidez colocasse em risco a vida da criança. Nesse contexto, percebe-se que o abuso sexual infantil é um reflexo do machismo enraizado no país, um fenômeno que viola a dignidade de diversas crianças cotidianamente.
Outrossim, a frágil educação sexual dos brasileiros é mais um entrave para o combate dessa problemática. Um exemplo disso é observado pelo fato de muitas pessoas interpretarem o ensino dessa temática como um incentivo à prática de relações sexuais. Nesse âmbito, diversas crianças não sabem sobre o que é abuso sexual, desde o toque em alguma parte íntima até o próprio estupro. Diante disso, nota-se que é essencial discutir o assunto desde o período da infância dos cidadãos, a fim de que estes saibam diferenciar uma brincadeira de uma violência, um toque “comum” de um abuso sexual, de modo a garantir a segurança e o bem-estar desse grupo social.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para combater o abuso sexual infantil no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação implementar, em todas as escolas, a disciplina educação sexual. Isso deve ser feito por meio de aulas semanais, nas quais os professores, com o intermédio de vídeos, gincanas e trabalhos em grupo devem discutir sobre o machismo, a fim de coibir essa problemática. Atrelado a isso, os educadores devem orientar as crianças por meio de desenhos e brinquedos, mostrando toques ou atos que caracterizam o abuso sexual, a fim de que elas entendam “o que pode e o que não pode acontecer”. Diante de tais feitos, o abuso sexual infantil estará presente apenas no passado da nação Verde-Amarela.