Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 02/12/2020

Ao longo da história brasileira, diversos entraves foram encontrados na tentativa de desenvolvimento da nação. Dentre eles, destaca-se, devido a sua recorrência hodierna, a situação dos abusos sexuais infantis. A partir de uma análise desse impasse, percebe-se que ele está vinculado não só a dificuldade para descoberta desses crimes, mas também a falta de educação sexual em casa e nas escolas.

Em primeiro plano, pode ser destacado a inexistência de um sistema específico para investigar esse tipo de crime. Assim, as denúncias podem ser tratadas desde o Conselho Tutelar, até a Polícia Federal. Dessa forma, com as autoridades dispersas e especializadas em categorias de crimes diferentes, além de impossibilitar a coleta de dados para levantamentos, como quantas denúncias foram feitas durante o ano, os abusos sexuais infantis não recebem o foco e atenção necessária.

Além disso, alude-se ao pensamento do intelectual Paulo Freire, ao evidenciar que, “se a educação sozinha não transforma, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sob essa perspectiva, percebe-se a importância da educação sexual, desde ensinar a criança a identificar o abuso, com atividades lúdicas e didáticas, até ensina-la a denunciar o crime para um adulto de sua confiança. Esse assunto, quando tratado como tabu e evitado dentro de casa, deixa uma lacuna na compreensão da criança ao diferenciar o que é normal e o que é assédio.

Em suma, medidas exequíveis são necessárias para abolir esse crime do Brasil. A priori, o Governo Federal precisa criar uma autoridade para tratar apenas dos casos de abuso sexual infantil, para que recebam uma atenção específica e que denúncias feitas em outros órgãos sejam transferidas. Junto disso, o Ministério Público e a Polícia Federal devem investir na importação de tecnologias especializadas em rastreamento virtual, com a finalidade de descobrir casos de posse de pornografia infantil, por exemplo. Finalmente, as escolas precisam abordar a educação sexual semanalmente, com pedagogos e médicos, para ensinar as crianças a identificar o abuso e o abusador, como denunciar e como reagir. Só assim, o Brasil caminhará para o desenvolvimento pleno.