Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 03/12/2020

Nos célebres livros de romance policial, como de Sir Arthur Conan Doyle e de Agatha Christie, detetives são enviados com uma missão: por meio de pistas, solucionar mistérios e crimes. Entretanto, na vida real, quando não há ciência a respeito do mal ocorrido, sem verbalização de denúncias, é possível que as evidências sejam ignoradas e até mesmo banalizadas. Desse modo, torna-se necessário avaliar os desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil, que deixa sutis indícios de que estão ocorrendo, mas com detecção dificultada pela falta de conhecimento da vítima acerca do problema em si, aliado ao despreparo de profissionais de contato direto com as crianças.

Diante do contexto, cabe ressaltar, em primeira análise, o imbróglio associado à inexperiência dos jovens frente ao abuso. Sobre o tema, é pertinente a teoria da Caverna de Platão, na qual indica que o homem não-esclarecido tende a aceitar o absurdo e não questionar atitudes alheias. Dessa forma, a criança, ser ainda “não-iluminado” com o conhecimento, não enxerga a agressão de forma efetiva, guardando para si e evitando denunciar para outros próximos. Então, é indubitável que o desconhecimento do menor sobre a gravidade das agressões sexuais é fator causal da dificuldade de se reconhecer o problema.

Ademais, é evidente que a falta de treinamento para se identificar os sinais de abuso por aqueles que mais tem contato com a criança dificulta as ações para evitar o trauma. Ao adotar-se o ideário de Schopenhauer, que afirma que o homem só se importa com aquilo presente em seu campo de visão, ou seja, sua realidade palpável, entende-se que o despreparo se torna problemático no momento em que não há detecção da agressão, por não estar tão evidente. Com isso, ela tende a ser ignorada ou despercebida, em razão do não conhecimento também de educadores acerca dos sinais clássicos de abuso. Assim, é claro que a ineficácia do ambiente escolar ser ativo mediante a situação é determinante para a permanência da problemática.

Destarte, devido ao supracitado, torna-se evidente a necessidade de medidas para aumentar o saber social e a atenção frente aos abusos sexuais infantis. Cabe ao Ministério da Família, em parceira com secretarias de educação, por meio de campanhas midiáticas e palestras, de amplo acesso e linguagem simples, buscando atingir todas as camadas sociais, explicar comportamentalmente sinais de abuso em crianças e adolescentes, deixando clara a importância de se reconhecer tais dicas. Com isso, os educadores e familiares se tornarão mais aptos à intervir em casos suspeitos, abordando a criança de forma segura, tornando o país mais seguro, saudável e consciente.