Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 04/12/2020

Medo. Receio. Dor. Essas são algumas palavras-chave que caracterizam a questão do abuso sexual infantil no Brasil, uma vez que essa problemática afeta a vida de diversas crianças e segue sem alcançar o apelo necessário para ser resolvida. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da base educacional lacunar, bem como pelo receio em denunciar.

A princípio, a falta de um melhor entendimento infantil sobre como identificar um episódio de abuso sexual caracteriza-se como um complexo dificultador. Sob essa ótica, conforme o sociólogo Durkheim, o ser humano é resultado da educação que teve. Nessa perspectiva, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. Desse modo, no que se refere ao abuso sexual infantil, é possível perceber a forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema, pois não está trazendo às salas de aula conteúdos que ajudem crianças a identificar situações dessa natureza em seu cotidiano.

Além disso, a questão do medo em denunciar é outra dificuldade enfrentada. Sob essa lógica, o imperativo categórico, teorizada pelo filósofo Kant, preconiza que o indivíduo deve agir apenas segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal. No entanto, em relação aos casos de abuso sexual, observa-se uma lacuna moral quanto ao exercício da denúncia, uma vez que a vítima, em grande parte dos casos, apresenta algum grau de parentesco com o agressor. Evidencia-se, portanto, que as campanhas governamentais de incentivo ao exercício da denúncia não estão surtindo o efeito esperado.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Sendo assim, é essencial que o Ministério da Educação, em parceria com empresas, promova, para professores da rede pública e privada de ensino, cursos sobre como abordar questões de cunho sexual na sala de aula. Faz-se imprescindível, portanto, que tais cursos sejam digitais e gratuitos, ensinando diferentes ferramentas e métodos para que os professores possam abordar temas sensíveis, como a exploração sexual infantil, e consigam, assim, propor diferentes soluções em conjunto com os alunos.