Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 04/12/2020

Na série estadunidense The Handmaid’s Tale, mulheres vivem num mundo em que suas funções — além do ato de procriar — são deixadas de lado; na República de Gilead, até mesmo as meninas mais jovens sofrem estupros e abusos constantes ao serem submetidas a casamentos forçados. Paralelamente, no Brasil, dados do Fórum de Segurança Pública de 2018 revelaram que, por hora, quatro meninas de até treze anos são estupradas. Tendo isto em mente, é preciso que medidas sejam realizadas para combater o abuso infantil e garantir a segurança de crianças e adolescentes.

Em primeiro lugar, é preciso debater a respeito dos tabus envolvidos na problemática em análise. Logo, percebe-se que a falta de diálogo entre crianças e responsáveis é um dos principais fatores prejudiciais, visto que são muitas as vítimas não encontram apoio nos pais que, muitas vezes, são os próprios abusadores. No Brasil, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos revelou que dezessete mil casos de violência sexual infantil ocorreram em 2019. Com a atual pandemia do coronavírus, o isolamento social se tornou mais um dos desafios no combate ao crime analisado, já que as vítimas tiveram suas vozes ainda mais silenciadas.

Por conseguinte, mostra-se necessária a discussão sobre as consequências — muitas vezes, permanentes — do abuso infantil. Entre as principais, segundo pesquisas da Sociedade Brasileira de Psicologia, pode-se citar as mudanças de comportamento e desempenho escolar, desequilíbrios e distúrbios alimentares, desenvolvimento de traumas e aparecimento de problemas psicológicos que, muitas vezes, trazem imensas cicatrizes. Ao analisar todos os prejuízos causados pela problemática, vê-se a importância de debates e palestras nas escolas para despertar a consciência sobre o próprio corpo e a confiança dos jovens nas instituições de ensino.

Por conclusão, cabe ao Governo Federal — por meio de investimentos e em parceria com os conselhos tutelares e instituições de ensino municipais — a realização de palestras que tenham como tema a importância do controle sobre o próprio corpo com crianças e adolescentes. Ademais, urge que a mídia, por meio de investimentos publicitários e federais, auxilie na divulgação de campanhas midiáticas que busquem informar a respeito do abuso infantil e de como denunciar casos. Visando o despertar de consciência e a proteção da parcela infantil da população brasileira, somente desta maneira as crianças e seus corpos estarão verdadeiramente seguros.