Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 04/12/2020

O livro Aurora, escrito por Haven Race, conta a história da Aurora, a qual perde os pais muito cedo e, então vai morar com os tios, no entanto ela sofre diariamente abuso sexual pelo tio e isso acarretou diversas consequências psicológicas em sua vida. Ao refletir a respeito dos desafios no combate ao abuso sexual infantil, no século XXI, a problemática ocorre na maioria dos casos por familiares, o que dificulta a denúncia, além de que traz muitas consequências psicológicas e físicas para as vítimas. Dessa maneira, faz-se indispensável enfrentar essa realidade com uma postura crítica.

A princípio, torna-se possível perceber que a construção do Brasil é patriarcal. Diante disso, de acordo com pesquisas do Disque 100, Disque Direitos Humanos, 70% dos casos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes são praticados por familiares e parentes da vítima. De maneira análoga, identifica-se que o patriarcado, tendo em vista que é o domínio sobre as mulheres, portanto as crianças cresce sendo muitas vezes submissa ao representante masculino da família, motivando o abuso sexual e psicológico também. Em suma, o abuso sexual dado ao histórico brasileiro se tornou um tabu, já que é pouco discutido dentro das famílias e é camuflado pelo patriarcado.

Desse modo, um abuso muda completamente a vítima, desde o psicológico ao físico. A vista disso, nota-se que no documentário Aubrey e Daisy, o qual relata a história de duas adolescentes que sofrem abuso sexual e como isso impactou na vida delas, visto que foi uma violação do corpo de ambas e também as deixou emocionalmente frágeis, por fim uma delas se suicidou. Seguindo essa linha de pensamento, verifica-se que é nocivo para a formação psicossocial dos menores, dado que muitas pessoas não denunciam por vergonha e descredibilidade por parte das pessoas e órgãos públicos. Logo, segundo uma pesquisa do Sinan, Sistema de Informação de Agravos de Notificação, estima que apenas 10% dos casos de estupro chegam ao conhecimento da polícia.

Por conseguinte, fica claro que ainda há entraves para assegurar a construção de um mundo melhor. Destarte, faz-se imprescindível que o Ministério da Segurança em conjunto com os departamentos de polícia, para estimular a denúncia dos casos de abuso, principalmente em casa, através das redes sociais e aplicativos acessados pelas crianças, com o objetivo de que o abuso por parte de familiares seja ínfimo. Conforme já dito pelo ativista Nelson Mandela, educação é capaz de mudar o mundo. Portanto, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, na sociedade civil, conferências gratuitas, em praças públicas, ministradas por psicólogos, que discutam formas de ajudar as vítimas de abuso e combate ao suicídio, de forma que o tecido social se desprenda de certos tabus e não caminhe para um futuro degradante.