Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 05/12/2020

A erradicação do abuso sexual infantil encontra, no Brasil, uma série de empecilhos. Essa constatação pode ser comprovada por meio dos dados divulgados pelo Ministério da Saúde, os quais demonstram que 74,2% de meninas e 25,8% de meninos já sofreram violência sexual. Dessa forma, em razão do silenciamento e pela falta de conhecimento por parte de crianças e adolescentes, emerge um problema complexo, que precisa ser revertido.

Em primeiro plano, é preciso atentar para o silenciamento presente na questão. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Nessa perspectiva, para resolver a questão da violência sexual infantil é necessário expor o assunto. Porém, o que se percebe é o silenciamento por parte das vítimas de crime sexual, em virtude da coerção dos abusadores, como também em virtude do medo da exposição, dificultando a resolução do problema.

Além disso, outra causa do problema é a falta de conhecimento. O filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Sob esse viés, a escassez do conhecimento de crianças e adolescentes sobre a violência sexual, atua como forte consolidador do problema. Isso quer dizer que, uma criança informada  é capaz de expor o acontecido aos seus pais, professores ou alguém de autoridade, capaz de denunciar o abuso sofrido pela criança ou adolescente.

É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Para que isso ocorra, o Governo Federal deve produzir palestras e cartilhas didáticas sobre abuso sexual infantil, a ser introduzido em escolas de ensino médio e fundamental, por meio de entrevistas com vítimas de abuso sexual e com especialistas no assunto, com a finalidade de trazer conhecimento às crianças e adolescentes, promovendo a lucidez sobre o problema. Assim, possívelmente, os dados do Ministério da Saúde serão revertidos.