Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 05/12/2020

Antes mesmo da Lei Áurea, os inúmeros relatos de filhos e filhas de escravos estuprados pelos seus senhores, escancarou uma parte da história brasileira obscura e ainda intrínseca na sociedade contemporânea. Tais fatos ainda persistem e atribuem ao Brasil a 11º colocação no ranking de países com maiores números de casos de violência sexual infantil no mundo, segundo a revista The Economist. Diante disso, fica clara a necessidade de ações que tenham como objetivo o combate efetivo ao abuso sexual de crianças e adolescentes brasileiros.

A priori, a grade maioria dos casos de abuso sexual infantil ocorre dentro do convívio familiar, dificultando a identificação de possíveis casos. Segundo uma reportagem publicada no portal de notícias G1, mais de 74,3% dos casos denunciados no ano de 2019, tiveram como abusadores pais, padrastos, primos ou até mesmo irmãos da criança/adolescente. Além disso, mais de 58% dos denunciantes não eram da família, sendo em grande maioria professores, vizinhos e pais de amigos. Com isso, fica evidente que é preciso uma maior atuação dos agentes sociais no intuito de identificar e ajudar potenciais vítimas.

Outrossim, com a explosão do uso das redes sociais, grupos criminosos têm se utilizado desses meios para cooptar crianças e adolescentes vulneráveis ou expostos nessas plataformas. Exemplo disso, foi exibido na programação do Fantástico da rede Globo no dia 28/11/2020, uma reportagem no qual pedófilos foram identificados e presos pela Polícia Federal em uma operação nacional e internacional. Essa operação conseguiu evitar com que uma criança de 7 anos fosse vendida para um grupo que se utiliza da Deep Web para comprar e até mesmo financiar o rapto infantil para exploração sexual. Desse modo, é preciso o fortalecimento de ações que tenham como o objetivo combater e evitar ações criminosas como essa.

Portanto, fica evidente que é preciso combater o abuso sexual infantil no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação em conjunto com o dos Direitos Humanos, devem desenvolver cartilhas e palestras a serem levadas até as escolas, que expliquem o modo operante de violentadores sexuais, conscientizando potenciais vítimas da necessidade de não se calar e denunciar. Além disso, a Polícia Federal, a Interpol e as plataformas de redes sociais precisam desenvolver operações - com ajuda da Inteligência Artificial que é capaz de rastrear e identificar ações suspeitas de pedófilos - com o intuito de coibir toda e qualquer ação de grupos criminosos que objetivem aliciar e sequestrar crianças. Somente assim será possível reverter esse cenário tão preocupante.