Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 05/12/2020

O ideal

De acordo com Martin Luther King, célebre ativista político, é preciso que a injustiça contra qualquer indivíduo represente uma ameaça à justiça de todos. No entanto, quando se percebe os desafios no combate  ao abuso sexual infantil no brasil, fica nítido que o ideal de Luther King permaneceu no intelecto do autor. É paradoxal, pois, em pleno século XXI —tido como evoluído—, a exploração sexual contra crianças ainda possua parte ativa na sociedade em seus aspectos mais subjetivos e políticos. Por isso, faz-se mister observar as respectivas causas desse processo.

Vale defender, inicialmente, que o problema advém, em muito, dos padrões criados pela consciência coletiva. Nesse sentido, a gênese dessa causa decorre das filosofias endêmicas deixadas como herança do período colonial, no qual relações sexuais precoces eram tidas como forma de amadurecimento —principalmente contra meninas durante a puberdade— e pouco problemáticas. Na atualidade, infelizmente, é possível afirmar que tais valores ainda se perduram preservados na subjetividade de muitos cidadãos. Todavia, conforme o filósofo Michel Foucault, as pessoas são suficientemente aptas a mudar pensamentos errôneos construídos em outros períodos históricos e preparadas , por conseguinte, a criar novas ideias.

Cabe dizer, em segundo plano, que a negligência presente nas camadas governamentais fomenta o resistência dessa situação. Consoante o filósofo Aristóteles, a incompetência política está diretamente ligada ao equívoco civil de não considerar como relevante a qualificação profissional do indivíduo para tal função. Logo, é pertinente inferir que esse conceito se enquadra perfeitamente no contexto atual: ao pontuar a ineficiência do Estado no combate ao abuso sexual infantil. Paralelamente, isso ainda permite que os abusadores sexuais passam despercebidos pelas autoridades: consequentemente, as crianças ficam mais expostas ao perigo devido à péssima segurança que lhes é concedida pelo Governo.

Portanto, são necessárias medidas que atenuem esse panorama. Para tanto, o Estado,  por intermédio de minicursos, deve instruir a polícia a agir no combate ao abuso sexual infantil, com o intuito de ampliar a ação policial contra esses crimes, além de aumentar a pena criminal para quem os praticar. Outrossim, compete à escola, por meio do corpo docente, ensinar os alunos sobre os riscos do abuso sexual, fora, é claro, ensiná-los a se prevenir. Isso ocorrerá com a finalidade de aperfeiçoar a subjetividade dos estudantes e ,então, reduzir a influência subjetiva do contexto histórico sobre a sexualização de crianças. Enfim, a partir dessas ações, será possível vincular, de fato, o ideal de Luther King à contemporaneidade.