Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 10/12/2020
No livro “As Vantagens de ser Invisível” o personagem principal descobre, já adulto, que o trauma que havia sofrido quando criança foi abuso sexual. Sem conhecimentos e com a devida ingenuidade infantil, ele não sabia que as práticas que sua tia realizava consigo eram erradas e, com isso, carregou esse peso sozinho por muitos anos. Infelizmente, essa realidade é comum para muitas crianças no Brasil, que sofrem silenciosamente, uma vez que, um sistema público falho e a ausência de educação sexual no combate do abuso sexual infantil, contribuem à permanência desse crime hediondo no país.
Em primeiro lugar, crianças são vistas pelos abusadores como alvos fáceis e passivos pois, pela falta de conhecimento, não conseguem distinguir e classificar um ato como abuso. Ademais, muitas vezes, podem até mesmo ter essa consciência, mas o medo e vergonha impossibilitam a denúncia pela falta de segurança. Nesse sentido, a educação sexual é imprescindível na luta contra o abuso sexual infantil. Todavia, no Brasil, essa realidade parece distante ao depender do Presidente que, como divulgado pelo site G1, acredita ser uma escolha somente dos pais. Tal fato somente demonstra uma certa ignorância e negligência, porquanto, mais de metade dos casos de abuso ocorrem por familiares, dentro de suas próprias residências, relata o site Agência Brasil.
Em segundo lugar, a educação sexual não pode ser destinada somente aos pais, em vista de que, em muitas famílias de vulnerabilidade socioeconômica nem mesmo os adultos possuem tal conhecimento. Nessa perspectiva, o constante descaso e, consequentemente, falta de políticas públicas, geram uma frequência constante de casos no Brasil e, com a falta de justiça a ser realizada, a banalização dessa problemática na sociedade. Dessa maneira, reafirma-se o conceito criado pela teórica alemã Hannah Arendt: a banalização do mal; dado que nem sempre os ocorridos levam à comoção e indignação da população e entidades responsáveis, já que é um fato normalizado por muitos, apesar de ser extremamente maléfico.
Destarte, medidas são necessárias para garantir a segurança das crianças brasileiras. Portanto, o Ministério da Educação e Cidadania, por meio de um projeto de lei a ser apresentado à Câmara dos Deputados, deve reivindicar a implementação da educação sexual nas escolas do Brasil, em nível primário e fundamental. É necessário, também, a inclusão de psicólogos disponíveis nas instituições de ensino, a fim de realizarem atendimentos semanalmente e detectar, assim, sinais de trauma, se for o caso. Além disso, é fundamental a reinvenção do sistema a partir da criação de delegacias específicas no combate a esse problema, através de investimentos governamentais. Por fim, espera-se que, dessa forma, seja possível extinguir, gradativamente, o abuso sexual infantil da sociedade brasileira.