Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 07/12/2020

Patrick Harry, ex governador do estado da Virgínia dos EUA, diz que a sociedade tende a fechar os olhos diante de uma verdade dolorosa. De fato, o abuso sexual infantil está em um crescimento exponencial no Brasil. Na série “The Handmaid’s Tale” as crianças são vistas como sagrada, ao contrário do que parecem ser vistas em pleno século XXI. O abuso - além de causar traumas para a criança- é muitas vezes negligenciado pelas pessoas ao seu redor e na maioria dos casos, os abusadores são amigos da família e até mesmo parentes.

A priori, quando uma criança é abusada, ela é ameaçada para não contar a ninguém, porém, suas atitudes deveriam despertar preocupação dos familiares, visto que apresentam um comportamento mais recluso, atípico em crianças. A Constituição de 1988, assegura punição severa ao abuso sexual infantil, essa punição muitas vezes nem é aplicada, visto que há subnotificação e o abuso é taxado como imaginação fértil. Dessa forma, muitas crianças vivem anos nessa situação e não são capazes por si mesmas de afastarem o estuprador.

Por conseguinte, o perigo nem sempre está na rua e sim, dentro da própria casa. O Brasil teve 17 mil casos dessa violência em 2019, sendo  que 73% dos casos acontecem dentro da casa da criança. Geralmente é cometido por algum amigo da família, tios, avós e até padrastos, tendo esse último uma porcentagem de 40%. O risco é real. Nem em suas próprias casas, onde elas deveriam se sentir seguras, há sossego.

Ademais, algo deve ser feito para que as crianças possam viver sua infância em paz. Cabe ao Ministério da Educação implementar no currículo escolar a matéria de educação sexual, para que as crianças entendam que ninguém pode tocá-las sem permissão e para que saibam o que fazer diante de um eventual abuso. Dessa forma, reduzirá a estatística, visto que os abusadores serão denunciados e assim, as crianças serão consideradas sagradas, protegidas e amadas como na série.