Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 07/12/2020
De acordo com a obra “Brasil, País do Futuro”, escrita por Stefan Zweig, em 1941, o país assume uma conotação progressista e promissora. Entretanto, já no século XXI, a projeção do autor parece se perder, sobretudo no que concerne à violência sexual infantil, uma repugnância reiterada por uma parcela abjeta. É possível afirmar que não só a morosidade judiciária brasileira, como também a negligência familiar fomentam os desafios a serem sanados do status quo contemporâneo.
Inicialmente, é necessário dizer que não é novidade para os brasileiros a lentidão da atividade pública. Isso se corrobora na quantia de presos provisórios nas instituições carcerárias, cerca de 33% dos cativos, como afirma o relatório do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), no prolongamento de processos por décadas e, também, pela própria população, a qual reconhece que burocracia é sinônimo de longo tempo gasto. A partir dessa análise, é evidente que denúncias, boletins de ocorrência ou qualquer outro método letárgico implicam em maior tempo realizando os abusos sexuais e, cada vez mais, danos incalculáveis na consciência juvenil — um verdadeiro descaso governamental.
Ademais, outro impasse a se questionar diz respeito à própria família, a qual não examina comportamentos diferentes nas crianças, ou até mesmo se recusa em denunciar abusadores internos ou próximos à estrutura fraternal. Isso se comprova nos dados fornecidos pela OMS, o que asserta que mais de 50% dos agressores se enquadram em um dos dois padrões mencionados acima. Assim, é inadmissível que a própria família, uma forma de amparo e sustento, seja a culpada pelo futuro suplício físico e mental do desenvolvimento infantil.
Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com instituições de ensino, não apenas coscientizar a população por meio de palestras midiáticas acerca dos principais comportamentos atribuídos às vítimas, mas também acelerar a ação contra os algozes por meio de um atendimento 24 horas — via ligação — que prontifique, se necessário, o mais rápido possível a prisão dos sociopatas. Espera-se, com tudo isso, uma supressão significativa dos casos de abuso sexual infantil e, somado a isso, uma família mais atenta e uma infância digna de ser denominada infância.