Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 07/12/2020
O Mito da Caverna, do filósofo Platão, é uma alegoria que representa um grupo de pessoas o qual se recusa a enxergar a verdade a respeito do mundo, em razão do medo de abandonar a zona de conforto. Em alusão à citação, nota-se a mesma problemática no que diz respeito ao fenômeno do abuso sexual infantil, crime bárbaro negligenciado e insuficientemente discutido no âmbito brasileiro. Nesse contexto, percebe-se que a configuração de uma conjuntura de contornos específicos, em virtude do pouco entendimento, por parte da criança, em relação à violência e da negligência.dos adultos a sua volta.
Em primeira análise, é lícito afirmar que o problema encontra terra fértil no desconhecimento do menor em relação ao ato de agressão sexual. Nesse viés, o filósofo Schopenhauer traz uma importante contribuição para o assunto, ao afirmar que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Sob tal óptica, depreende-se que a criança que não foi ensinada a diferenciar um simples carinho ou brincadeira de um abuso, acaba influenciada pelo seu agressor a não relatar a o acontecimento a um responsável, o que contribui diretamente para a continuidade desse tipo de violência. Com isso, verifica-se que é preciso repassar para o jovem, desde cedo, o conhecimento acerca da necessidade de contar para outros adultos sobre toques ou carícias, que ele julgue como desconfortáveis, seja por parte de parentes ou amigos.
Em segunda análise, é válido frisar que um dos impasses para o combate a essa barbárie é a negligência da família e de outras pessoas que convivem com a criança em relação aos sinais de abuso na vítima. Diante disso, o filósofo Kant defende que o indivíduo deve agir conforme a máxima que deseja ver transformada em lei universal. Analogamente, observa-se a imprescindibilidade de denunciar ou investigar casos suspeitos de agressão sexual como forma de contribuir para a erradicação do problema. Contudo, o que se observa na realidade é que os responsáveis, muitas vezes, ignoram mudanças no comportamento do menor, como introspecção ou medo de algum adulto em específico, e sequer procuram marcas de violência no corpo dos jovens.
Por conseguinte, medidas são necessárias para combater o abuso sexual infantil no Brasil. Desse modo, é fundamental que o Ministério da Educação promova campanhas educativas, por meio de palestras abertas aos alunos e às comunidades, as quais ensinem sobre partes do corpo da criança que não devem ser tocadas por outros e sobre os sinais de comportamento que os menores podem demonstrar após uma agressão, a fim de assegurar que os jovens saibam detectar a violência, bem como de garantir que os adultos denunciem os casos.