Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 08/12/2020

No romance russo Lolita, escrito pelo romancista Vladimir Nabokov, é retratada uma relação abusiva entre um professor e sua aluna, a qual por ser adolescente era facilmente manipulada a ter atos sexuais com o opressor e não possuía coragem e meios para denunciar. Dessa mesma forma, a realidade se apresenta de forma análoga a ficção, em que muitas crianças e adolescentes são acometidos por abusos sexuais em diferentes ambientes e pessoas, porém não conseguem denunciar, seja por causa do medo ou pela dificuldade de compreender o que é um abuso sexual e denuncia-lo.

Diante disso, as crianças são ensinadas desde pequenas a não falar com estranhos e nunca confiar neles, mas de forma contrária devem agir com os seus responsáveis e familiares, os quais lhe devem confiança e respeito. Contudo, segundo dados do Ministério da Saúde revela que 70% dos casos de abuso infantil ocorrem dentro da própria residência e,além disso, de acordo com o Fórum de Segurança Pública, a cada hora no Brasil quatro meninas de até 13 anos são abusadas sexualmente. Diante desses fatos, é evidente que ao contrário do que é ensinado, deve-se ter uma maior atenção nos lares e responsáveis de cada criança e adolescente no Brasil, principalmente nesse cenário de isolamento causado pela pandemia, em que as vítimas acabam ficando por muito tempo em casa e sem o auxílio do principal agente e ambiente de denúncias por parte das crianças: As escolas e professores.

Ademais, além da falsa ideia de que o ambiente familiar é sempre o mais seguro para a criança e de que essa deve confiar todo o tempo em seus responsáveis, a dificuldade na compreensão do que é um abuso e a facilidade da manipulação de uma criança e adolescente são enormes desafios no combate ao abuso sexual. Em virtude disso, muitos casos acabam sendo negligenciados por uma influência do opressor perante a vítima, por meio de uma ilusão amorosa ou de paixão. Exemplo disso, são vários casos que acabam sendo repercutidos nas redes sociais, em que homens maiores de idades possuem relacionamentos com adolescentes, as quais são instigadas a acreditarem que essas relações são originadas de um amor “puro” e que a idade não é um obstáculo para tal.

Portanto, diante desses desafios apresentados é inegável que se faz necessário a criação de medidas para o combate do abuso sexual infantil. Dessa forma, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos deve promover visitas de psicólogos e pedagogos nas residências que se encontram menores de idade a fim de avaliar o estado físico e psicológico da criança ou adolescente e procurar sinais de abuso sexual, além disso criar uma conscientização do que é o abuso sexual infantil e de que forma ocorrem por meio de professores e aulas de maneira correta para cada idade. Para que desse modo, a ficção Lolita deixe de ser uma triste semelhança da realidade.