Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 15/12/2020
O abuso sexual infantil nunca deixou de existir
A cultura do abuso sexual não só existe como está em nosso DNA enquanto nação. Esse ato, não é recente no país, desde o descobrimento da América, vários colonizadores abusaram sexualmente os nativos aqui presentes. Assim, a violência sexual contra crianças e adolescentes, principalmente, faz parte, portanto (e infelizmente), de nossa história como nação. É impossível algo tão enraizado ser dissociado do fato de acontecer cinco estupros por hora no país. Desse modo, é necessário ter uma noção de como os casos são frequentes no Brasil e como esse ato pode prejudicar uma criança em sua fase de desenvolvimento.
O abuso sexual é uma prática muito frequente no país e que atige à todos, independe de qual for sua classe social, religião, nível de escolaridade,etc. Porém, segundo o Boletim Epidemiológico 27 do Ministério da Saúde, as principais vítimas são crianças de 1 a 5 anos e adolescentes de 10 a 14 anos, com as porcentagens de 51,2% e 67,8%, respectivamente. Destas vítimas, a maior parte, são mulheres e seus agressores são pessoas conhecidas e amigos e a maioria das agressões acontecem em maior frequência na residência da vítima, ou seja, o abuso acontece com pessoas que ninguém espera.
Existem graves problemas decorrentes do abuso que persistem na vida adulta dessas crianças. Essas vítimas são submetidas a uma violação inominável e apresentam tristeza constante, prostração, sonolência diurna, medo exagerado de adultos, habitualmente aquele do sexo do abusador, além de apresentarem histórico de fugas, comportamento sexual adiantado para idade, masturbação frequente e descontrolada, tiques ou manias, enurese ou encoprese e baixo amor-próprio na vida adulta. Ainda na adolescência, essas vítimas apresentam um desempenho na escola diferente de outras crianças, como dificuldades de concentração, recusa na participação de atividades, queda de desempenho e aproveitamento escolar.
Por isso, para combater tais abusos e considerando que a escola é um ambiente privilegiado para a prevenção da violência sexual contra as crianças, faz-se necessário que o tema seja abordado em cursos de formação inicial e continuada, a fim de que os/as professores/as reflitam sobre a complexidade do abuso sexual contra as criancas, bem como o seu papel no enfrentamento dessa violência.