Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 08/12/2020

Em “A república”, Platão introduz uma visão acerca de uma sociedade onde o ser humano, além de ter dignidade, deverá rumar à perfeição. Atualmente, em contradição à visão platônica, os abusos infantis atrapalham a solidificação da sociedade brasileira. Tal problemática tem a fragilidade do senso comum e a ineficácia governamental como principais catalisadores.

Primeiramente, deve-se analisar a relação entre o senso comum e abusos infantis. Nesse contexto, segundo Imannuel Kant, filósofo alemão, uma democracia direta poderia ficar cega para certos assuntos que não tangenciam a moral comum. Analogamente, as fracas discussões acerca da persistência dos abusos infantis tangenciam a visão Kantiana, já que do ponto de vista crítico – com o ônus da carta do direitos, que prevê proteção às crianças – esse assunto tem pertinência, mas do ponto de vista comum é raro encontrar conversas cotidianas sobre o assunto. Logo, a coletividade deve moldar sua postura junto à temática.

Em segundo plano, a responsabilidade do governo perante os indivíduos deve ser abordada. Conforme o Ministério da Saúde, ainda são muitos os casos diários de abuso infantil no Brasil. Assim, sob o escopo da cidadania para Jurgen Habermas, onde os indivíduos devem ter direito de defasa diante do estado, o problema supracitado faz com que a classe infanto-juvenil esteja mais distante da plena cidadania, pois sua defesa está fragilizada. Então, a presença do estado junto ao assunto está defasada.

Portanto, é notável que os abusos infantis atrapalham a construção do Brasil. Para contrapor esse problema, o Ministério da Educação e o terceiro setor devem agir em prol da reeducação, por meio da distribuição de cartilhas informativas que esclareçam quanto à importância de se combater os abusos infantis. Desse modo, a ineficácia governamental e do senso comum poderão ser combatidas e, consequentemente, a “perfeição” buscada por Platão parecerá, cada vez menos, uma utopia.