Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 09/12/2020
De acordo com o levantamento realizado pelo Ministério da Saúde, 32 mil crianças foram vítimas de abuso sexual no ano de 2018. Tal cenário revela a insuficiência das políticas públicas brasileiras no que diz respeito ao combate ao abuso sexual infantil no país. Dessa forma, alguns desafios como a ausência de uma educação sexual eficiente nas escolas, a falta de diálogo entre pais e filhos e a dificuldade em detectar e notificar os abusos, que acontecem em sua maioria no núcleo familiar, devem ser enfrentados a fim de combater essa prática no país e garantir os direitos assegurados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
Em primeiro lugar, um dos maiores desafios para combater esse tipo de violência está relacionado ao fato de que a maior parte dos casos de abuso sexual acontece dentro do próprio ambiente familiar. Conforme pesquisas realizadas pelo Ministério da Saúde, mais de 64% dos agressores eram próximos das vítimas. Sendo assim, muitas vezes os familiares e conhecidos, responsáveis por proteger as crianças e adolescentes, são os próprios abusadores. Portanto, é fundamental que outros agentes, como a escola, atuem na conscientização e na proteção dessas crianças para evitar a recorrência do abuso no ambiente familiar e a subnotificação dos casos.
Além disso, assuntos relacionados à sexualidade ainda são um tabu na sociedade brasileira. Por isso, não existe uma ampla discussão sobre o abuso sexual infantil e sobre a pedofilia dentro do ambiente escolar e familiar, tornando as crianças ainda mais vulneráveis à manipulação feita pelos agressores. Como exemplo disso, o documentário “Sequestrada à luz do dia” retrata a história de uma menina que, ao ser manipulada pelo vizinho e amigo dos pais, é sequestrada e abusada sexual e psicologicamente por ele diversas vezes. Assim, o diálogo e a orientação das crianças acerca de tais assuntos é essencial para evitar tragédias como a narrada no documentário.
Logo, é de extrema importância que medidas sejam tomadas a fim de superar os desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação, em conjunto com a mídia, deve ser responsável por criar campanhas, aulas e palestras voltadas para as crianças, com o objetivo de torná-las conscientes do que é abuso sexual e de como pedir ajuda. Ademais, o Ministério da Educação deve também disponibilizar nas escolas profissionais capacitados, como psicólogos e psicanalistas, para detectar vítimas de abuso sexual e agir conjuntamente à família na proteção das mesmas, oferecendo apoio psicológico e incentivando a denúncia do abusador. Somente assim será possível combater a persistência dessa prática na sociedade brasileira.