Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 09/12/2020

O livro Aurora, escrito por Haven Race, conta a história da Aurora, a qual perde os pais muito cedo e, então vai morar com os tios, diante disso ela sofre diariamente abuso sexual pelo tio e isso acarretou diversas consequências psicológicas em sua vida. Ao refletir a respeito dos desafios no combate ao abuso sexual infantil, no século XXI, a problemática ocorre na maioria dos casos por familiares, o que dificulta a denúncia, além de que traz muitas consequências psicológicas e físicas para as vítimas. Dessa maneira, faz-se indispensável enfrentar essa realidade com uma postura crítica.

A princípio, torna-se possível perceber que a construção do Brasil é patriarcal. Diante disso, de acordo com pesquisas do Disque 100, Disque Direitos Humanos, 70% dos casos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes são praticados por familiares e parentes da vítima. De maneira análoga, identifica-se que o patriarcado, tendo em vista que é o domínio sobre as mulheres, diante disso as crianças crescem sendo submissas ao representante masculino da família, motivando o abuso sexual e psicológico também. Em suma, o abuso sexual dado ao histórico brasileiro se tornou um tabu, já que é pouco discutido dentro das famílias e é camuflado pelo patriarcado.

Desse modo, segundo uma pesquisa do Sinan, Sistema de Informação de Agravos de Notificação, estima-se que apenas 10% dos casos de estupro chegam ao conhecimento da policia. A vista disso, verifica-se que é nocivo para a formação psicossocial dos menores, dado que muitas pessoas não denunciam por vergonha e descrença por parte das pessoas e órgãos públicos. Logo, conforme relatado no documentário Aubrey e Daisy, a história de duas adolescentes que sofreram estupro e como isso impactou na vida delas. Visto que além da violação do corpo de ambas também as deixou emocionalmente frágeis, após denunciarem receberam inúmeros comentários maldosos, por fim uma delas se suicidou.

Por conseguinte, fica claro que ainda há entraves para assegurar a construção de um mundo melhor. Destarte, faz-se imprescindível que o Ministério da Segurança em conjunto com os departamentos de polícia, em prol de estimular a denúncia dos casos de abuso, principalmente em casa, através das redes sociais e aplicativos acessados pelas crianças, com o objetivo de que o abuso por parte de familiares seja ínfimo. Conforme já dito pelo ativista Nelson Mandela, educação é capaz de mudar o mundo. Portanto, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, na sociedade civil, conferências gratuitas, em praças públicas, ministradas por psicólogos, que discutam formas de ajudar as vítimas de abuso e combate ao suicídio, de forma que o tecido social se desprenda de certos tabus e não caminhe para um futuro degradante.