Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 11/12/2020
No livro “A culpa não é sua”, a youtuber e influenciadora Fabiola Melo retrata sua experiência com abuso sexual durante a infância. Fora do campo literário, a experiência da autora assemelha-se à realidade de muitas crianças, visto a persistência do abuso sexual infantil na sociedade. Nesse contexto, cabe analisar que tal cenário é inconstitucional e é agravado pela falta de educação sexual.
Primeiramente, segundo Jean Paul Sartre, a violência é sempre uma derrota. Nesse viés, é possível perceber a derrota sartreana na questão do abuso infantil, haja vista que tal violência gera consequências físicas e psicológicas desastrosas. Diante disso, vale salientar que segundo o artigo
6 da Constituição Federal, o Estado deve garantir o direito à segurança. Logo, visto a condição de insegurança em que se encontram as vítimas, a permanência de tal panorama é inconstitucional, o que é inaceitável.
Outrossim, cabe ressaltar o papel da educação sexual no combate à problemática. Nesse sentido, vale pontuar que o conhecimento auxilia as vítimas na detecção do abuso, uma vez que muitas não sabem que são abusadas, consequentemente, encoraja denúncias. Com isso, percebe-se que tal perspectiva concorda com o pensamento do filósofo Paulo Freire, o qual afirma que se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda. Dessa forma, em conformidade com o discurso do autor, a falta de educação sexual agrava a problemática.
Dessarte, tal conjuntura é agravada pela ausência de instrução sexual. Portanto, o Ministério da Educação deve promover orientação sexual nas escolas, por meio da implementação na grade curricular de disciplinas que abordem assuntos relacionados ao tema. Dessa maneira, tal ação deve atender a todas as escolas públicas e privadas do país, a fim de combater o abuso sexual infantil. Assim, “A culpa não é sua” não refletirá a realidade brasileira.