Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 12/12/2020
Pular amarelinha. Pega-pega. Jogar bola. Jogar videogame. Brincar de boneca. Essas e outras brincadeiras que compõem uma parte importante no desenvolvimento infantil podem ser deixadas de lado por vítimas de abuso. Nesse contexto, a violência sexual de crianças ainda é uma triste realidade a ser combatida no Brasil, enfrentando como principais desafios a dificuldade de se descobrir e denunciar agressores, somada ao costume a notícias violentas reduzindo seu impacto, nessitando, portanto, ser discutida.
Primeiramente, cabe analisar a dificuldade de se identificar e denunciar o agressor. A Constituição Federal de 1988, prevê a proteção a infância. Entretanto, o abuso sexual infantil ainda é um fato recorrente no Brasil, devido, principalmente, ao custo de se descobri-lo, visto que, segundo dados divulgados pelo Governo Federal, 7 de cada 10 abusadores são próximos a vítima e tem a confiança da família, como demostra o caso divulgado em 2020, no Espírito Santo, no qual uma menina de 10 anos ficou grávida de seu tio, e só assim a violencia foi descoberta denunciada. Logo, a atenção e o cuidado com as crianças deve ser atento e contínuo.
Ademais, o costume a notícias violentas dificulta seu combate. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, a exposição diária a acontecimentos violentos torna o mal banal, evitando reflexões mais profundas sobre o assunto. Sob tal ótica, é constante a divulgação, em telejornais, de relatos de abuso sexual de crianças por parte de amigos ou familiares, fato esse que pode tornar tais casos parte do cotidiano reduzindo as discussões a respeito. Dessa maneira, combater a normalização da violência sexual é impressindível para mitigar esse problema.
Fica evidente, portanto, os desafios ao combate a violência sexual infantil no Brasil e a necessidade de se enfrenta-los. Para tanto, urge que o Ministério da Educação em parceria com a mídia, principalmente, canais populares como a Globo, pois atingem maior número de pessoas, invista por meio de verbas públicas, em campanhas dentro das escolas e na forma de comerciais instigando os pais a ficarem atentos e como identificar possíveis agressores, além de divulgar números para denúncias. Para que assim a infância seja protegida e a preocupação maior das crianças seja com as brincadeiras diárias.