Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 14/12/2020

O filme “Quarto de Jack” retrata uma história real, em que uma menina é sequestrada e mantida em cativeiro, onde chega até a ter um filho. Infelizmente, histórias como essa de abusos sexuais na infância são muito comuns e envolvem, na maioria das vezes, parentes ou pessoas próximas como abusadores. Assim, o combate ao abuso sexual infantil exige superar o tabu sobre o assunto na sociedade, bem como usar a educação sexual para instruir as crianças e adolescentes sobre o tema.

Em primeiro lugar, enfrentar o tabu que existe na sociedade sobre o abuso de crianças e adolescentes é essencial para seu combate. Como mostra o livro “A cor púrpura” de Alice Walker, em que a personagem é constantemente abusada por seu padrasto na infância e, posteriormente, por seu marido, ninguém estava disposto a conversar ou mesmo confrontar a situação que ocorria com a menina. Dessa forma, abrir um espaço na sociedade para tratar de um tema que, apesar de delicado, é urgente para a saúde e qualidade de vida das crianças e adolescentes que são abusados de forma mascarada, o que terá grande eficiência na luta contra os casos de abuso sexual infantil.

Nesse viés, o combate ao tabu existente também deve ser acompanhado de educação sexual para crianças e adolescentes. Isso porque, como exposto no filme “Preciosa”, em que a protagonista foi abusada desde bebê pelo próprio pai e engravidou duas vezes dele na adolescência, as crianças e jovens muitas vezes não recebem instrução suficiente para identificar um abuso, afinal a sociedade não reconhece o valor dessa educação. Desse modo, usar esse ensino pode ajudar crianças a identificar seus abusadores, que na maioria das vezes são pessoas próximas, e assim denunciá-los, o que ajudará no combate ao abuso sexual infantil.

Com isso, aliar a discussão sobre o tema na sociedade com a educação sexual para jovens e crianças trará grande evolução na luta contra os casos. Para isso, o Ministério da Educação deve garantir que haja acesso à instrução para as crianças e adolescentes, por meio da inclusão da educação sexual nas escolas, as quais serão como palestras que devem contar com a participação de profissionais especializados e psicólogos, para que eles recebam informação adequada sobre a situação. Além disso, a sociedade deve combater os casos de abuso sexual infantil, por meio da abertura à discussões sobre o assunto, o que envolve compartilhar relatos sobre o tema e informações sobre a urgência e necessidade de combate, para que não seja mais um tabu desconfortável.