Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 14/12/2020
O abuso sexual infantil destrói sorrateira e progressivamente a vida das vítimas, pois estas passam a desenvolver sintomas que, muitas vezes, passam despercebidos pelos responsáveis. No livro “As vantagens de ser invisível”, é narrada a história de um jovem, que, durante sua trajetória, descobre ter sido violentado sexualmente pela própria tia. Os sinais do abuso sexual são expostos durante a leitura, mas somento ao final desta, o leitor toma conhecimento dos fatos. Tal narrativa retrata um dos maiores desafios no combate ao abuso sexual infantil, a dificuldade em descobrí-lo.
Segundo uma matéria do jornal BBC, o Brasil enfrenta falhas sistêmicas no que tange a elucidação dos dados de abusos sexuais infantis, especialmente pela dificuldade existente no processo de denúncia e punição dos agressores. A falta de órgãos próprios responsáveis por coletar, organizar e catalogar estes casos é um claro exemplo delas. Tais falhas, aliadas às barreiras comuns enfrentadas pelas vítimas, como a dificuldade em se diagnosticar o problema, tornam os casos de abuso difíceis de serem descobertos e devidamente catalogados pelos órgãos responsáveis. Todo esse processo gera uma cortina social, que venda os olhos das sociedade e impede que os responsáveis sejam devidamente punidos.
O abuso sexual infantil fere um dos pilares da sociedade brasileira, a juventude. Os sintomas sofridos pelas vítimas geram baixo rendimento escolar, alteração comportamental e até mesmo suicídio. Esses efeitos negativos gerados pela violência sexual, em tal fase, podem acabar com o futuro de um cidadão, impedindo-o de se desenvolver plenamente. As possíveis consequências a longo e médio prazo, então, não podem ser ignoradas, levando em conta as relações sociais, morais e éticas que os cidadãos têm entre si, e como elas seriam afetadas caso a sociedade brasileira fosse marcada pela violência sexual na infância.
Desta forma, é imprescindível que os órgãos públicos criem políticas de repressão a esse comportamento. Cabe então ao estado desenvolver, criar e inserir na sociedade novas delegacias de atendimento especializadas na área infantil, através da reformulação sistemática do encaminhamento de denúncias e correta utilização de verba pública, afim de encontrar e punir os agressores de forma rápida e eficiente. Assim, o abuso sexual infantil se tornará cada vez menos comum.