Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 15/12/2020

O Transtorno de Estresse Pós-Traumártico é uma condição associada a ansiedade, causada por eventos extremamente desagradáveis como acidentes fatais, brigas violentas, assaltos e estupros. Nessa perspectiva, é notório que tal “chaga” pode se instalar nas crianças, fato que demanda discussões sobre desafios no combate ao triste abuso sexual infantil no território brasileiro. Com isso, dois tópicos devem ser debatidos: anonimato de familiares e dificuldades com denúncias. Assim, medidas interventivas devem ser aplicadas a fim de proteger a integridade dos jovens no Brasil.

A priori, os casos de abuso sexual podem ser omitidos em alguns lares. Nesse sentido, padrastos ou tios - mal intencionados -, que são provedores financeiros de uma família humilde, acabam por desrespeitar a liberdade da criança com carícias e cópulas forçadas, enquanto os outros integrantes se silenciam pelo medo de perder a renda de subsistência, caso o agressor deixe o ambiente. Em paralelo a isso, o Ministério da Saúde publicou que cerca de 4 em cada 10 criminosos tinham vínculo intrafamiliar, o que evidencia a falta de segurança para com os mais jovens. Esse triste cenário, é fruto da extrema dificuldade financeira de muitas pessoas, as quais infelizmente podem se calar diante de tal absurdo mencionado, em prol da sobrevivência. Com isso, cabe ao Estado garantir auxílios monetários para as famílias carentes, para que assim agressores sejam denuciados e punidos de forma adequada.

Por outro lado, a deficiência dos centros competentes dificulta o processamento das denúncias. Nesse contexto, nos raros momentos em que a vítima procura ajuda, ela se depara com muitos caminhos oficiais, entretanto, o problema real persiste, situação que frustra quem procura. Em relação a isso, Zigmunt Bauman, sociólogo, elaborou o conceito de “instituição zumbi”, o qual demonstra a existência de estruturas públicas que não funcionam adequadamente, fato que se aplica a problemática em questão. Esse nefasto panorama é proveniente da ausência de um órgão específico para lidar com as denúncias de abuso sexual. Por isso, é relevante que o corpo social seja informado, discuta e se manifeste, para que tal pressão resulte em atendimento dígno à quem precisa.

Em suma, ainda existem tristes dificuldades para combater o abuso sexual de crianças no Brasil. Por isso, o MEC (Ministério da Educação e Cultura) deve promover um debate amplo sobre o tema, em espaços públicos, por intermédio de profissionais qualificados - psicólogos, advogados, médicos -, panfletos ilustrativos e questionários engajadores. Em síntese, essas ações têm a finalidade de tornar a população mais consciente: discussões, manifestações e pressão popular, para que assim, medidas governamentais sérias sejam aplicadas e os mais jovens protegidos.