Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 17/12/2020
No filme norte-americano “As vantagens de ser invisível”, o protagonista Charlie é um adolescente com problemas que a maioria enfrenta nessa fase, porém ele possui certo transtorno devido em sua infância ter sofrido abuso sexual, por sua tia, nomeada de Hellen. Durante a trama é mostrado Charlie sendo atormentado por várias lembranças envolvendo sua tia, o que causa excessivo estresse e ansiedade. De maneira análoga, na contemporaneidade, essa é uma realidade presente no Brasil, visto que muitos são os desafios no combate ao abuso sexual infantil. Nesse sentido, tanto o tabu gerado em torno da sexualidade, quanto as políticas públicas ineficientes são formas de se entender a problemática.
Em primeira instância, vale salientar a interferência da própria população nesse contexto. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o ser é aquilo que a sociedade faz dele, dessa forma, o grupo social que aborda sexualidade como tabu, portanto, terá jovens vulneráveis no que diz respeito às consequências do abuso sexual. Por esse ângulo, quando há a falta de conversa familiar a respeito da sexualidade, de como identificar um abuso e denunciar, atrelado ao ensino público de baixa qualidade, a conduta do ser humano é afetada como um todo, pois ao passo que o indivíduo desconhece das informações acerca dessa questão, a identificação do abuso sexual e, consequentemente, sua denúncia ficam ameaçadas, tendo em vista que a criança ou o adolescente não saberá das medidas a serem tomadas. Em consequência disso, quando não ocorre a denúncia o sujeito é prejudicado por toda a sua vida, podendo desenvolver traumas, transtornos psíquicos, depressão, entre outros. Outrossim, a corroboração da circunstância se deve à falta de efetividade na real execução das leis. No dia 18 de maio de 1973, uma menina de 8 anos foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada no Espírito Santo. Seu corpo apareceu seis dias depois carbonizado e os seus agressores nunca foram punidos. Sob tal óptica, é notório que o Governo, mesmo no século XXI, ainda não consegue resolver e punir casos de abuso e violência sexual infantil de forma eficiente e, desse modo, corrobora com a repetição desses acontecimentos. Tal perspectiva se comprova, pois segundo um levantamento obtido pelo GLOBO, o Brasil registrou ao menos 32 mil casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes em 2018. Dessa forma, é claro que caminhos são necessários para diminuir números como esses.
Diante do exposto, portanto, é imprescindível trabalhar, no Brasil, o combate ao abuso sexual infantil. Em conjunto com o Ministério da Saúde, as escolas devem elaborar projetos, mediante aulas contextualizadas e fóruns de discussões -envolvendo alunos e pais- não só com o reforço sobre educação sexual dentro da instituição escolar e familiar, mas também acerca das instruções de denúncia em caso de abuso. Tudo isso com o objetivo de educar e evitar consequências futuras.