Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 18/12/2020
Dados do Disque Direitos Humanos mostram que em 2019 foram feitas 17 mil denúncias relacionadas a violência sexual entre crianças ou adolescentes. Embora seja uma conquista, o problema do abuso sexual infantil continua presente, visto que para cada caso registrado, 20 não são denunciados. Dessa forma, em razão do silenciamento por parte dos responsáveis, da sociedade e da educação deficitária prestada ao público afetado, emerge um problema complexo que precisa ser revertido.
Primeiramente é preciso salientar que a falta de debate sobre o assunto é uma causa latente do problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Diante disso, verifica-se uma escassez em torno dos debates sobre o abuso sexual infantil, o que contribui com o aumento da falta de conhecimento da população sobre a questão, tornando sua resolução mais dificultada. A campanha Nacional Maio Laranja, promovida pela Secretária Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, surgiu com o intuito de tirar o tema da invisibilidade, informando, mobilizando e conscientizando toda a sociedade a participar da causa em defesa dos direitos de crianças e adolescentes e assim, expandir a informação acerca do tema.
Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a educação deficitária. De acordo com o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob essa lógica, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange a violência sexual, verifica-se uma forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter e prevenir o problema, visto que não tem trazido debates sobre educação sexual no sentido de ajudar as crianças e adolescentes a identificar o abuso e como reagir naquela situação. Portanto uma intervenção faz-se necessária.
Para isso, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e discussão sobre a questão no ambiente escolar. Tais eventos, podem ocorrer no período do contra turno, contando com a presença da família, de professores e de especialistas no assunto. Além disso, esses eventos devem ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam a importância do combate ao abuso infantil e se tornem cidadãos atuantes na busca de resoluções. A partir dessas ações, poderá se consolidar um Brasil melhor.