Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 04/01/2021

O filme de terror “It: A Coisa”, com estreia no ano de 2017, mostra cenas de Beverly, uma das crianças principais da história, sendo abusada sexualmente pelo próprio pai. Trazendo isso para fora do mundo fictício, essa é uma cena muito comum em várias famílias brasileiras - praticamente 95% do casos são assim. O combate ao abuso sexual é desafiador, pois esse não só está atrelado com o medo da vítima em relatar a situação, mas também existe a dificuldade de a família perceber o crime.

Nesse sentido, é fato que o medo é o sentimento mais relacionado ao abuso sexual. Isso se mostra pelos dados da Organização Internacional do Trabalho, os quais dizem que apenas 20% dos casos são relatados às autoridades. Por serem crianças, relatar o crime é ainda mais complicado, pois elas não sabem totalmente de todos os perigos dessa situação e, por conta disso, não comentam nada com os responsáveis. Outro motivo por esse grande medo de contar os ocorridos para alguém são as ameaças que o agressor pode estar fazendo à vítima.

Ademais, outro desafio para o combate dos abusos sexuais infantis é a dificuldade de os responsáveis do “abusado” notarem o que está acontecendo. De volta ao “mundo fictício”, tem-se o livro “Lolita”, escrito por Vladimir Nabokov, que conta a história de um homem que se casa com a mãe de Dolores, a “lolita”, só para poder se relacionar forçadamente com a jovem, sem a esposa saber o que está acontecendo. Essa situação está totalmente relacionada ao medo da vítima de contar aos responsáveis, o que torna o desafio ainda maior. Existem muitos sinais que mostram que o crime está ocorrendo na família, como mudança de comportamento da vítima e proximidade excessiva, mas a maioria das pessoas não consegue percebê-los.

Portanto, o combate ao abuso sexual infantil ainda é muito complicado porque as vítimas sentem medo em relatar o crime aos responsáveis e, também, esses não percebem que o abuso está acontecendo, muitas vezes. Para amenizar as dificuldades, o Ministério da Educação, em conjunto com as empresas televisivas, deve investir em programas que servirão tanto para as crianças quanto para os adultos. Eles ensinarão o público infantil a saber que esses atos são errados e que não podem deixar de contar para um adulto, caso isso aconteça, utilizando formas educativas e próprias para a idade. Para os adultos, os programas terão uma linguagem mais formal e séria e eles ensinarão como perceber que o abuso sexual infantil está acontecendo, por meio de falas de psicólogos nesses “shows” televisivos. Assim, as crianças e os responsáveis saberão como agir, caso o crime seja efetuado.