Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 09/01/2021
O Super-Homem, idealizado pelo célebre filósofo Nietzsche, caracteriza o indivíduo capaz de livrar-se das amarras sociais. No entanto, quando se analisa os desafios para que ocorra o combate ao abuso sexual infantil no Brasil, percebe-se que o ideal proposto pelo autor está distante da realidade social de muitos indivíduos. Situações como essa são potencializadas ora pela inércia estatal, ora pelo despreparo de algumas instituições de ensino.
Convém ressaltar, a princípio, que o reduzido investimento estatal em alternativas para minimizar o abuso sexual infantil é um fator determinante para a permanência desse impasse. Nesse viés, o sociólogo Émile Durkheim afirma em sua Teoria do Corpo do Biológico que a sociedade atual funciona como um corpo humano: é necessária a atuação de todos os órgãos em prol do seu pleno funcionamento. Contudo, o Poder Público configura-se como um órgão falho, uma vez que os investimentos destinados ao meio midiático para a disseminação de propagandas e de campanhas publicitárias que orientem a população, em especial os pais, os modos de detectar que a criança está sendo abusada ou manipulada, avaliado a partir de seus comportamentos, são ínfimos. Por conseguinte, sem o devido amparo governamental, a violência sexual infatil tende a aumenatar.
Outrossim, o escritor escocês David Hume afirma que a principal característica que difere o ser humano dos outros animais é o seu pensamento. Sob esse viés, o despreparo de algumas instituições de ensino é um fator determinante para a permanência dos elevados índices de violação infantil, já que esse âmbito pouco desenvolve o agir crítico e pouco desenvolve o discernimento dos indivíduos acerca dos dilemas do cotidiano, contradizendo assim o pensamento de Hume. Esse panorama lamentável acontece porque a maioria das escolas, interessa-se, geralmente, apenas pela transmissão de conteúdos técnicos e não se preocupa em desenvolver mecanismos que orientem as crianças a conhecerem o corpo, a abordarem a educação sexual, ou até mesmo, identificar que tal ação se trata de um abuso sexual, visto que muitas crianças que são violadas não sabem necessariamente do que se trata, dificultando assim que o agressor seja impune.
Diante desse cenário, urge que o Estado aliado a mídia, por meio de verbas governamentais, invista em campanhas sobre a violência sexual infantil, instruindo os pais a observarem os comportamentos dos filhos, já que tal ação possa detectar que a criança esteja sendo violada, com o intuito de que menos crianças sejam aterrorizadas por tal ação. Ademais, é importante que as escolas, por intermédio da criação de grades curriculares e da capacitação de professores, abordem a questão da educação sexual, com a finalidade de que as crianças possam detectar o abuso sexual.