Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 10/01/2021
O documentário, “Sequestrada à luz do dia”, baseado em fatos reais, retrata o caso de Jan, uma adolescente que sofria abusos sexuais de seu vizinho, acreditando serem comportamentos normais. Acera dessa lógica, a inópia da educação sexual influi, em geral, para a dificuldade na denúncia dos abusos. Não obstante, a penúria de tratamentos psicológicos para as vítimas contribui, em parte, para a formação de abusadores em potencial. Logo, atos estatais que mudem os fatos fazem-se prementes. Destarte, a inobservância governamental acerca da educação sexual coopera, em maioria, para o alto índice de abusos. Sob essa óptica, segundo o site BBC, cerca de 57% das vítimas de violência sexual que chegam aos hospitais têm cerca de 0 a 14 anos. Nesse viés, é notável que, com a falta de momentos educativos que instruam parte dos jovens, muitos não conseguem distinguir os comportamentos abusivos, internalizando tais atos como normais, visto que grande parte sofre com eles desde cedo. Desse modo, atos que modifiquem esse cenário são urgentes.
Outrossim, a baixa busca por tratamentos psicológicos pelas vítimas coadjuva, substancialmente, para a geração de potenciais abusadores. Nessa conjuntura, de acordo com o filósofo Jean-Jacques Rousseau, “O homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe”. À vista disso, é notório que quando não tratado desde cedo, os traumas advindos de abusos e de violências sofridos na infância pode, muitas vezes, converte-se em comportamentos abusivos, como no caso do ginasta Petrix Barbosa, que na juventude sofreu de violência sexual por um ex-treinador e ao adentrar em um “reality show”, sofreu diversas denúncias de comportamentos abusivos no confinamento. Por conseguinte, medidas que visem ao bem-estar de grande parte da população são importantes.
À luz dessas considerações, atos públicos são essenciais para menorizar o abuso sexual infantil. Portanto, é fulcral que o Governo, junto ao Ministério da Educação, deve realizar a implantação do ensino sexual nas escolas, com a capacitação dos professores de ciência, visando à maior conscientização dos alunos acerca dos comportamentos sexualmente abusivos, tanto na infância quanto já na fase adulta, buscando ascender o número de denúncias. Ademais, o Ministério da Saúde deve disponibilizar de um canal gratuito entre as vítimas e profissionais da área psicológica, por meio de números de telefone, que façam o acompanhamento periódico, intentando à atenuar os traumas sofridos pelas vítimas. Por esses intermédios, a violência sexual pode deixar de ser um imbróglio no País.