Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil

Enviada em 11/01/2021

A obra “O Grito”, do artista Edward Much, evidencia um ser que aparenta sentir pânico e desconforto diante do desconhecido. Essa ilustração vai de encontro à ausência de posicionamento social diante do abuso sexual infantil no Brasil, visto que, ao contrário do personagem, a sociedade não se terrifica diante dos desafios enfrentados no combate a essa problemática. Nesse sentido, é evidente que esse panorama tem como origem a escassez de medidas que amparem a vítima no enfrentamento à violência. Assim, a falha das políticas públicas, bem como o descaso familiar agravam essa situação.

Vale destacar, a princípio, que a falta de políticas públicas é a causa notória da questão. Nessa perspectiva, Abraham Lincoln, célebre político americano, disse que a política existe para servir o povo e não o contrário. Contudo, em relação ao abuso sexual infantil presente no país, essa afirmação de Lincoln não se faz presente, uma vez que o Poder Público não serve o povo com ações, metas e planos que solucionem entraves, como a carência de medidas que auxiliem, tanto a vítima, quanto os seus familiares a identificarem o abuso sofrido, bem como a falha no enfrentamento ao mesmo. Assim sendo, sem uma política comprometida, o combate de tal fato é praticamente utópico.

Além disso, é necessário destacar o descaso familiar como agravador do problema. Isso porque, de acordo com o filósofo John Locke, criador da Teoria da Tábula Rasa, o ser humano é como uma tela em branco, a qual, gradativamente, é preenchida com vivências. Sendo assim, o ambiente familiar, posto como primeiro lugar de contato individual, é um grande influenciador de personalidades. Acerca dessa lógica, é crucial fortalecer a ideia de que o indivíduo inserido em um espaço, no qual o combate ao abuso sexual é visto como algo insignificante, tende a pensar de maneira semelhante e, ao se tornar ser participante da sociedade, não fará nada para combater tal violação. Vê-se, dessa maneira, a necessidade de mudanças no comportamento familiar.

Portanto, medidas são necessárias para modificar esse infortúnio. Logo, o Ministério da Educação, governo responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação, por meio de uma parceria com as prefeituras, deve realizar um ciclo de palestras em instituições de ensino. Essa ação deverá ser compartilhada nas redes sociais do Ministério no formato de “Live”, com o fito de atingir grande parte da população brasileira e trazer mais clareza a respeito da importância de agir para garantir que o abuso sexual infantil no país seja combatido. Ademais, ao cidadão cabe o dever de, ao identificar cenários abusivos, agir com o objetivo de interromper tais ações. Dessa maneira, um Brasil melhor para todos começará a ser contruído.