Desafios no combate ao abuso sexual infantil no Brasil
Enviada em 12/01/2021
A partir do século XVIII, posterior à Primeira Revolução Industrial, a sociedade evoluiu em vários quesitos, a preocupação em estudar a infância e o significado dela para as pessoas foram algumas dessas evoluções. A partir desse momento, problemas a respeito da forma na qual as crianças eram tratadas se tornaram evidentes como o elevado número de abusos sexuais sofridos por elas até então. Desde essas constatações, foram observadas que tanto o machismo estrutural, quanto a mídia são problemas a serem superados para o combate ao abuso infantil, haja vista, que contribuem com a normalização dessa realidade e com a sexualização de crianças.
Em primeiro lugar, é preciso evidenciar, que o machismo presente na sociedade reflete, nesse caso, de forma que quando o abuso é praticado por um homem, como na maior parte das vezes, a sociedade tende a naturalizar o ocorrido, por considerar o desejo sexual incontrolado intríseco ao sexo masculino. Assim, o machismo pode ser considerado um fato social, que segundo Émilie Durkheim, influencia e coage as atitudes e os juízos de valores dos indivíduos. Nesse contexto, além de amenizar, sutilmente, no ideário comum a culpa do abusador, o machismo também dificulta o combate ao abuso infantil a partir do momento que relativiza a casua do abuso, como se fosse algo biológico.
Ademais, é válido ressaltar, que a mídia é uma das principais culpadas ao instigar o abuso infantil. No documentário, Hot Girls Wanted, da Netflix, é mostrada a realidade de algumas adolescentes que, trabalham na indústria pornográfica e para conseguirem mais acessos em seus vídeos, se vestem de criança. Em vista do alto consumo de vídeos como esses que, indiretamente, sexualizam crianças, e do machismo estrutural presente na sociedade, o abuso infantil é banalizado e os desafios ao seu combate aumentados, de forma que a infância de muitas crianças se tornam vulneráveis e passíveis de serem violentadas .
Portanto, com o objetivo de vencer os desafios na luta contra o abuso infantil no Brasil e possibilitar uma infância segura para todos os brasileiros, é preciso que o Ministerio da Educação juntamente com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), promovam, nas instituições de ensino públicas e privadas, a educação sexual desde cedo. Isso deve ser feito por meio de aulas que ensinem os limites que as outras pessoas devem ter com relação ao corpo do outro e apresentem formas de denunciar um abuso, além de mostrar que a mídia pornográfica não é um produto que deve ser consumido, por ser algo que contribui para a manutenção do machismo estrutural.